“LITERA TERRA” poesia e prosa no observatório…(por clovis veronez)

ESCRITA

A segunda edição da nossa página dedicada a poesia e prosa traz essa semana dois poemas do pelotense Lobo da Costa. LOBO COSTA 1

Francisco Lobo da Costa (Pelotas, 12 de julho de 1853 — 19 de junho de 1888) foi um poeta, jornalista e teatrólogo brasileiro.

Filho de Antônio Cardoso da Costa e de Jacinta Júlia da Costa, um casal de classe média, Lobo da Costa despertou para a poesia aos doze anos, ao publicar, no jornal Eco do Sul, um poema em que celebrava a retomada deUruguaiana pelas tropas brasileiras, durante a Guerra do Paraguai.

Aos quinze anos, empregado na estação de telégrafo local, ele já lia e recitava Castro Alves, Casimiro de Abreu,Gonçalves Dias e Álvares de Azevedo. Inspira-se em Gonçalves Dias para criar uma poesia de temática indianista. Aos dezesseis anos, escreveu Heloísa, trabalho de ficção, em que demonstra sua preocupação com as desigualdades sociais.LOBO COSTA 2

A partir daí, começa a publicar com frequência seus poemas em jornais nos quais trabalha como redator e repórter.

Marcado pelo “Mal do Século”, Lobo da Costa é um dos nomes mais expressivos do movimento romântico da Literatura do Rio Grande do Sul.

 

O REI E O OPERÁRIO

 

— O que vales, junto à forja,

Cingindo o sujo avental?

 

— E a ti que te vale a gorja

Do teu diadema real?

 

— Eu mando tropas e armadas,

Sustenho povos na mão…

 

— Pois eu tempero as espadas,

Que fazem a revolução!

 

— E eu tenho um cetro que ao vê-lo

Curvam-se as raças fiéis…O REI E O OPERÁRIO

 

— Pois eu possuo o martelo

Que prega a forca dos reis!

— És um divino espantalho. . .

— E tu, que vales, vilão?!

— Eu forjo o anel do trabalho,

Tu forjas a escravidão*

— Eu tenho o sangue que deve

Recordar-me os faraós…

— E eu o do peão que em Greve

Decapitou teus avós.

—— Tu és das trevas o leito. . .

— Mentes, eu laboro a luz!

— Eu prego a luz do direito. . .

—E eu prego as leis de Jesus!

—— Tu és a noite, eu o dia,

Deslumbram-te os vivos sóis.. .

Tu fundes a tirania,

Eu fundo os pulsos aos heróis!

 

VERDADEIRA NOBREZA

Não é nobre o que amontoa

Os ossos frios, gelados,

De egrégios antepassados,

E um nome ilustre apregoa.

Há nódoa em qualquer coroa,

Laivos em degraus calcados

Dos tronos aïevantados

Como afronta à gente boa.

Nobreza — impõe a ciência,

O trabalho, a inteligência

E o ardor dos campeões,

Que mostram aos olhos do mundo

Em cada gilvaz profundo,

Um louro para as nações!

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