Luciana Genro a paraguaia (clóvis veronez)

OBSERVATORIO-CLOVIS

 

Ouvi a entrevista de Luciana Genro esta manhã (21) na Rádio Gaúcha.  Pareceu-me ter trocado de partido e, agora, como porta voz do PSDB, DEM, SOLIDARIEDADE, ou qualquer um parecido, esmerou-se em afirmar a inexistência de retrocesso político no país. Entre o ataque aos desmandos petistas e os elogios à operação lava jato, referiu-se as manifestações convocadas pela direita no domingo (13) como reveladoras de uma base social em disputa e, ao contrário, as da sexta em defesa da democracia, como organizadas para defender aquilo que considera indefensável.

Adiante, na entrevista, em tom risonho, afirma: se caso houvesse real possibilidade de golpe defenderia, inclusive, a resistência armada do povo.

Cabe lembrar a LG que os golpes contra a democracia têm adotado o viés institucional que, agora, ela defende. Dispensa armas, diga-se de passagem,que ela, ainda bem, não tem!

O caso de Honduras em 2009, quando o presidente eleito Manuel Zelaya foi deposto, acendeu um claro sinal de alerta em todo continente latino-americano. A democracia como método de escolha majoritária e forma popular de decisão politica pode ser assolada por mandatários parlamentares e juízes togados que usam de seus poderes como afronta a Constituição, com o fim de destituir lideres eleitos democraticamente.

No caso de Fernando Lugo no Paraguai, por exemplo, o que houve foi um “julgamento” a jato e de exceção. O prazo de defesa foi exíguo, sem a oferta da devida dilação probatória, as acusações têm caráter preponderantemente ideológico e não de juízo de ilicitude na conduta. A decisão já se encontrava decidida e escrita antes da apresentação da defesa. Ou seja: trata-se de mais um caso de ofensa grave a constituição nacional, perpetrada pelo judiciário e o respectivo Parlamento, que tira do poder um governante democraticamente eleito.

 A posição “descolada” de Luciana Genro, que opta por disputar uma base social (aquela do dia 13) perfeitamente definida em seu perfil por institutos de pesquisa, e, não a outra (que foi às ruas no dia 18) é incompreensível. – Não vê, não percebe ou prefere omitir os conflitos classistas da atual conjuntura. Avaliza a mídia golpista, faz profissão de fé na polícia política e no congresso como aptos a garantir “avanços institucionais”. Faz do Brasil um imenso Paraguay.

 (o áudio deve estar no site da rádio no programa “time line”).

Felizmente o PSOL não se resume a voz de Luciana.

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