Cortinas nos ocultam: isso e aquilo (clóvis veronez)

Cortina

 

No teatro convencional a cortina serve para ocultar, ainda que temporariamente, o espaço de encenação; logo, serve para facilitar as manipulações dos contra regras e maquinistas, num teatro que se baseia na ilusão, no qual não se podem revelar os bastidores da ação.

 

Toda cortina se abre, assim, para uma segunda cortina, que é ainda mais “inabrível” (inconfessável) por ser invisível, se não como limite dos bastidores, como fronteira para a “outra cena”.

A cortina para Brecht era como uma guilhotina.

A referencia ao dramaturgo alemão, serve para definir o desafio posto aos movimentos que retomam as ruas em defesa da democracia – “Cortinas nos ocultam, isso e aquilo é preciso arrancá-las”.

 

Não bastará vencer o golpe institucional pela via do aproveitamento das “brechas”, pela troca de cargos e favores com o denominado “baixo clero” na câmara federal.

 

Avançar representa derrubar o pano dos paradigmas e mudança qualitativa nas relações sociais e nas organizações políticas. O tempo da história revelará que não passamos por um processo histórico-político-social que seja capaz de representar, verdadeiramente, uma alteração na nossa configuração social e, ainda, fazer avançar a democracia.

 

Como no teatro tradicional existe a cortina que quando cerra a cena encobre a ação dos artífices da ilusão.

 

Não basta, colocar-se em marcha pela defesa de um governo que traiu, na prática, os interesses dos que lhe destinaram os votos. Será preciso colocá-lo contra a parede da verdade e exigir-lhe a coerência que falta.

 

Não é, tenho convicção, exagerado dizer que, no seu conjunto, as movimentações sociais e políticas que ocorrem no Brasil sejam impulsionadas não em direção ao futuro “luminoso”, mas para afirmar o em dois aspectos o quadro obscuro que lhe origina:

 

Primeiro essa denominada “elite” que pactuou com a idiotice e só faz apontar para o retrocesso e, segundo, o PT que ainda aparelha os sonhos de uma geração com seu projeto de organização oligarquizado.

 

Todos os acontecimentos políticos atuais remetem a essa constatação.

 

Descortiná-los é nossa tarefa!

P.S 

O físico inglês Stephen Hawking, em sua obra Uma Breve História do Tempo, afirma que as partículas atômicas, quando densamente saturadas, colapsam-se em si mesmas e se destroem, dando origem ao surgimento de outras partículas novas. Acredito que esse princípio, o da imponderabilidade quântica, deva ser aplicado às pessoas em sociedade. Espero que o ápice da falência e caos político e de consciência social no qual nos encontramos imergidos, seja o prenúncio de uma explosão acarretada pela saturação para que possamos, enfim, dar início a época do (re) nascimento de uma nova ordem política e social.

 

 

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