Má notícia para o golpe: os loucos vão trazendo de volta a lucidez

a louca

 

A loucura tem um inimigo mortal.

Ela mesma, quando se despe de suas sofisticações e surge diante dos olhos de quem, um minuto atrás, olhava-a como algo dentro da normalidade.

É assim com as pessoas, a quem devemos respeitar e ouvir – ainda quando nos avisem de que elas “não batem bem”.

Só quando seu transtorno se evidencia é que nos convencemos.

Hoje, este blog postou dois vídeos.

No primeiro, Marco Aurélio de Mello dá uma aula da serenidade e da respeitabilidade com que deve agir um julgador, resistindo às provocações vorazes e autoritárias de alguns de seus entrevistadores no Roda-Viva.

No segundo, a senhora Janaína Paschoal, signatária do pedido de impeachment, vocifera de maneira chocante.

Eles são um retrato do momento que estamos, felizmente, passando a viver.

Todos começam a perceber de que lado está a razão e o que fazem aqueles que a perdem, pelo ódio.

Um colunista da Folha sugere que o impeachment de Dilma é uma forma de livrar-se dela “muito mais civilizada que o assassinato”.

Outro, porém, já percebe as semelhanças do que vivemos com o clássico Simão Bacamarte, o que pretendeu encarcerar toda uma cidade num hospício.

O non-sense do golpe vai se desnudando, embora esteja evidente que o país não possa seguir paralisado por  ele.

É perceptível que já não há a hegemonia do golpismo e e que o discurso da violência em nome de uma suposta moralidade trincou.

Pela simples razão de que a violência é, em si, imoralíssimo.

Por mais que a mídia não dê tréguas e ainda possam sair muitas surpresas dos centros de conspiração – o de Curitiba, o de Brasília e os de outras partes ainda ocultas – a percepção é que a curva virou.

Daí, em parte, a exacerbação da violência, eis que ela se amplia quando míngua a capacidade de convencimento.

O antigolpismo, apesar dos erros e da miopia do PT de querer conduzi-lo como uma causa petista, está assumindo o tamanho que tem: o do desejo do Brasil defender as liberdades democráticas, o voto popular e reencontrar-se com o mínimo de harmonia que permita ao país funcionar.

A brutalidade golpista abalou a classe média.

A personificação em Lula do “alvo” do golpe referenciou o povão.

O processo de formação da consciência popular é mais profundo do que a superficial “opinião pública”, que o ácido humor do Barão de Itararé já havia chamado de “opinião que se publica”.

É quando se põe em marcha, é extremamente poderoso.

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