O DIA DEPOIS (clóvis veronez)

o dia depois

O golpe venceu uma batalha?

Talvez alguns argumentos tenham sido esgotados nessa etapa.

Caracterizam crime as pedaladas? Ora, de que isso importa agora?

Meu olhar direciona-se aos “vencedores” – a elite brasileira. Ela deseja/exige medidas de ajuste radicais e que o Estado atenda imediatamente seus interesses.

Para essa elite, o campo da esquerda, especialmente, sua base social constituem entrave ao projeto de ajuste neoliberal, tratado cinicamente como a “ponte para o futuro”.

Em tal “ponte” passarão privatizações e concessões, desvinculação de gastos com saúde e educação e, pasmem, “que as convenções coletivas prevaleçam sobre as normas legais” –”Tchau Dilma”, adeus CLT!

Os que não venceram pelo voto popular chegarão ao governo a partir de uma ruptura institucional capitaneada por gente como Temer, o traidor, e Eduardo Cunha que dispensa comentários.

Golpe!

Como paisagem para tudo isso está uma sociedade completamente dividida. Pior, como se vê, alienada do intento político-midiático  de excluir o PT e a esquerda do poder a qualquer custo.

Pois bem, se os conflitos fundamentais foram apaziguados e adiados por 14 anos, a hora deles chegou.

O dia depois, será o primeiro de uma nova era.

Onde você vai estar?

O tempo das negociatas e das ilusões com as discussões de gabinete acabou.

O desafio dos setores progressistas e da esquerda  é ir às ruas com uma plataforma de defesa dos direitos sociais e de avanços, com um programa para o Brasil. Auditoria da dívida, taxação de grandes fortunas e heranças, reforma agrária, reforma urbana, reforma política e democratização da mídia constituem o alicerce desse programa.

Os sujeitos desse bloco são os movimentos que conhecemos, a Frente Povo Sem Medo e a Frente Brasil Popular tendo papel fundamental de articulação, mas o aquecimento da luta política deve gerar cenários para novos instrumentos organizativos e políticos que surjam dos já existentes e daquelas e daqueles que estão de fora desses.

É hora de a esquerda voltar a discutir a totalidade, sabendo que a história não acabou e que os rumos do país dependem, mais do que nunca, da nossa capacidade de organização e disputa.

Tempos sombrios parecem aproximar-se, e a única forma de lidar com eles é aceitar a convocação da História e fazer girar, com cada vez mais força, a sua roda.

É tempo de luta.

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