A oligarquia

Que técnicos ou especialistas que nada. O governo Temer é uma colcha de retalhos que emenda descendentes de famílias oligárquicas e representante do “mercado”.

 

São todos homens. Talvez desde a ditadura não se via um ministério assim tão patriarcal, oligárquico e milionário. O hábil articulador e golpista conseguiu acomodar, ao menos na primeira fotografia que será tirada em poucas horas os Picciani cariocas, os Sarney, e diversas outras oligárquicas famílias, representadas com seus primogênitos e não com seus decrépitos senhores dinásticos.

O ministério também terá abundante espaço aos banqueiros, com Henrique Meirelles e Goldfajn do Itaú, o mais golpista dos grandes bancos.

Para coroar o bolo de direita do golpismo, Temer recriou o Gabinete de Segurança Institucional e colocou em mãos de general de família de alta estirpe golpista e torturadora, do Estado Novo à ditadura militar.

Ao contrário da expectativa criada pelos parceiros de convocação a mobilizações de classe média acomodada pelo golpe, a grande mídia, o MBL e outros setores de “nova direita” o ministério é marcadamente um ministério de composição política para acomodar PMDB e seus muitos caciques, PSDB, PP, PPS, PR e até uma ala do PSB dividido sobre adentar no governo ou não.

No alto da crise política que entre outras coisas escancarou a falência desta “democracia do suborno”, o governo Temer oferece em seu ministério um retrato senil de continuidade deste regime tão à cara e semelhança de seu PMDB, recheado de nomes de ex-governos tucanos ou petistas, mostram como entra governo, sai governo estes caciques ficam nos cargos com seus benefícios legais e ilegais.

Com estes nomes, muitos caciques, muitos interesses, procura ter uma sólida base parlamentar de apoio e promover duros ataques conduzidos por seus banqueiros Meirelles e Goldfajn à frente. Em breve publicaremos uma análise sobre as contradições e fortalezas do novo governo golpista. Abaixo oferecemos uma breve “ficha corrida” do ministério golpista.

Gilberto Kassab – Ministro de Ciência e Tecnologia

Presidente do PSD, ex-DEM, ex-prefeito de São Paulo e ex-Ministro de Cidades de Dilma.

Foi citado pelo doleiro Youssef na Lava Jato, pesam diversas denúncias em outros escândalos.

Raul Jungmann – ministro da Defesa

Deputado Federal, pelo PPS de Pernambuco. Foi ministro de “Desenvolvimento Agrário” de FHC. Secretário especial de “política fundiária” durante o massacre de Eldorado de Carajás. Indicado por tucanos participa em diversos conselhos de administração de estatais ou controladas por estatais tucanas, como a CET de São Paulo e a LIGHT carioca, controlada pela CEMIG.

Romero Jucá – Ministro de Planejamento

Senador pelo PMDB de Roraima, braço direito de Temer. Foi ministro da Previdência no primeiro governo Lula, ajudando a implementar os ataques à aposentadoria naquele período. Foi afastado por suspeita de corrupção. Foi líder do governo Lula em 2006 e de Dilma até 2012. Muito citado na Lava Jato por receber propinas da Andrade Gutierrez.

Geddel Vieira Lima – Chefe de Governo

PMDB da Bahia, Vice-presidente da Caixa, ex-candidato a governador em seu estado. Foi ministro da integração nacional no governo Lula. Desafeto do PT desde a eleição derrotada em 2010. Citado na Lava Jato como recebedor de propinas da OAS.

General Sérgio Etchegoyen – ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional

Militar sionista de família de tradição golpista e torturadora, neto de Felinto Miller ministro de segurança no Estado Novo, seu pai foi Chefe do Estado Maior em São Paulo a ditadura. Seu tio foi chefe do setor de “informações” do exército. Um nome à altura de um ministério de repressão e espionagem recriado.

Bruno Araújo – ministro das Cidades

Deputado Federal pelo PSDB de Pernambuco. Atende à ala Aécio Neves do PSDB. Foi citado na planilha da Odebrecht.

Blairo Maggi- Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

O rei da Soja, um dos maiores latifundiários do país. Senador pelo PP do Mato Grosso. Segundo a revista Forbes é o segundo político mais rico do país, com uma fortuna estimada em cerca de um bilhão de dólares.

Henrique Meirelles – Ministério da Fazenda

Do PSD de São Paulo. Nas mãos do ex-presidente do Banco Central sob Lula, ex-presidente do BankBoston a pasta incorporará a previdência. Para assim acelerar os ataques aos direitos dos trabalhadores.

Ilan Goldajn – Banco Central

Economista chefe do Itaú, foi chefe da política monetária do BC durante a gestão de Armínio Fraga no governo FHC, ou seja diretamente responsável pela política de juros extorsivos. É um campeão da austeridade neoliberal, o que também rende ótimos lucros aos detentores da dívida, sobretudo os bancos.

Mendonça Filho – Ministério da Educação e Cultura

Deputado Federal DEM de Pernambuco. O DEM é contrário às cotas, entrou com diversas ações para impedir sua aplicação. Sua pasta englobará a de cultura. Mendonça Filho é ligado a Jarbas Vasconcellos do PMDB de seu estado natal. Foi citado nas propinas da Odebrecht e Queiroz Galvão na Lava Jato.

Eliseu Padilha – chefe da Casa Civil

PMDB do Rio Grande do Sul. Ex-ministro da Aviação Civil (governo Dilma) de dos Transportes (governo FHC. Denunciado por corrupção durante governo FHC. Principal braço direito de Temer. Aparece na delação de Delcídio na Lava Jato.

Osmar Terra – desenvolvimento social e agrário

Deputado Federal PMDB do Rio Grande do Sul, dos principais “militantes” contra movimentos por terra e contrário a qualquer tipo de legalização de drogas, propondo medidas contra a legalização da maconha ocorrida no Uruguai. Faz parte da bancada da bala.

Leonardo Picciani – ministro do Esporte

Ex-líder do PMDB para apoiar o governo Dilma. Líder da campanha pelo voto a Aécio em 2014, filho do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e irmão de outros políticos em seu estado natal. Sua família está envolvida em numerosas denúncias de corrupção.

Ricardo Barros – Saúde

Deputado Federal pelo PP do Paraná, é vice-presidente deste partido que tem Maluf como uma de suas principais figuras. É parte da tropa de choque de Eduardo Cunha, tem o defendido no Conselho de Ética. Está denunciado em escândalo de corrupção envolvendo seu irmão, prefeito de Maringá. Ele também já foi prefeito da mesma cidade.

José Sarney Filho – Meio Ambiente

O herdeiro da família Sarney é deputado federal pelo PV do Maranhão. Foi ministro de FHC também do meio-ambiente. Tal como sua irmã Roseana Sarney ele aparece na lista da Odebrecht.

Henrique Alves – Turismo

Deputado Federal pelo PMDB do Rio Grande do Norte, dono de monopólio de rádio, TVs e jornais no estado potiguar. Sobrinho do cacique do PMDB Garibaldi Alves, tem vários familiares na política. Foi ministro do turismo de Dilma. Está investigado na Lava Jato por ser um dos principais beneficiários dos esquemas operados pelo doleiro Youssef.

José Serra – Relações e Comércio Exteriores

O Itamaraty foi entregue ao tucano citado numerosas vezes no Wikileaks como um porta-voz dos interesses americanos no petróleo. Um forte realinhamento pró-ianque na política externa é esperado. Ajustador e inimigo da educação. Tal como diversos tucanos paulistas, Serra citado em mil e um escândalos de corrupção não tem nenhum processo em andamento na justiça.

Ronaldo Nogueira de Oliveira – ministro do Trabalho

Deputado federal pelo PTB do Rio Grande do Sul. É pastor evangélico. Parte da “bancada da bíblia” é ligado ao reacionário pastor Malafaia.

Alexandre de Moraes – Justiça

Do PSDB de São Paulo, secretário de segurança pública de Alckmin, responsável pela repressão aos secundaristas e diversos movimentos sociais, conivente com os assassinatos cometidos pela Rota e pela polícia paulista em geral é denunciado por ter sido advogado do PCC.

Mauricio Quintella Lessa – Transportes, Portos e Aviação Civil

Deputado federal pelo PR de Alagoas, ligado à importante oligarquia Lessa que é uma das forças políticas que domina este estado do nordeste. Esteve envolvido em escândalos de corrupção locais, sendo inclusive condenado em um deles, para ficar em igualdade com tucanos e PMDbistas cariocas, sua condenação é por desvios na merenda escolar. “Curiosamente” o STF não impede sua posse, diferente do tratamento dado a Lula para ajudar o golpe.

Fabiano Augusto Martins Silveira – da Fiscalização, Transparência e Controle

É consultor legal do Senado. Membro do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público é o nome para ser interlocutor ou engavetador-geral da Lava Jato.

Fábio Osório Medina – Advocacia Geral da União

Foi secretário de justiça do governador Rigotto do PMDB gaúcho. Outro membro da Comissão Nacional de Justiça, membro do “partido judiciário” para defender o governo golpista de Temer e seus muitos citados na Lava Jato perante seus pares.

(do esquerda diário)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *