TEMER: tem nada tranqüilo, tampouco favorável. (clóvis veronez)

tranquilo

 

Nada contrapesa a “vontade geral”. O golpe não estará consolidado antes da sua aprovação na opinião pública e, nada indica que isto esteja próximo de acontecer.

Não foram, ainda, divulgadas pesquisas que quantifiquem a percepção da cidadania sobre o desfecho golpista no senado e formação do governo Temer. No entanto é bem fácil perceber entre pessoas comuns, inclusive defensores do impitimam, uma contrariedade com o rumo anunciado pelo condomínio traidor. A maquinação da velha política com a mídia conservadora obteve relativo sucesso em fazer a “caveira” da Dilma, mas não convence ninguém de que a alternativa seja o “esqueleto” Temer. Eis a contradição primeira e o “calcanhar de aquiles” do golpe paraguaio.

Segue, em outro patamar, a disputa comunicativa. Do prisma golpista não sobra alternativa que não seja substituir a expressão “crise” pela retórica da salvação pelo trabalho e união de todos (eram todos vagabundos até agora, bora trabalhar). O próprio Temer, no discurso de posse, engasgou-se com a lorota. Ele mesmo não deglute, sabe bem que alguém tem que pagar a fatura. A conclusão é obvia: vai pagar essa conta, a classe média idiotizada ou/e iludida até pouco e a grande massa assalariada da população. O aumento da carga tributária será inevitavelmente repassado aos preços no varejo. As “reformas” e o “ajuste” estarão direcionados a perda dos direitos sociais e ao atendimento imediato daqueles que patrocinaram a intentona contra a democracia – o tal mercado, os endinheirados e a canalha midiática.

Com isso será preciso conter, pela repressão, os movimentos populares e a contestação da esfera pública a margem destes, especialmente, uma vasta parcela de formadores de opinião vinculados aos movimentos da cultura, da juventude, das mulheres e da diversidade.

Incluí-los, verdadeira e democraticamente, num processo amplo de deliberação popular, sobre os aspectos simbólicos e materiais da disputa em curso daqui para frente é o grande desafio da resistência.

O caminho desenhado, pela horda golpista, é o da criminalização.  Esta só se revelará possível diante do estreitamento “formal” da resistência. A disputa é “comunicativa”, o que está em jogo é a opinião pública.

A democracia foi afrontada sem empregos de força, não pode ser derrotada pela força. A violência, de qualquer parte, não produzirá legitimidade nem resgatará autoridade, ao contrário.

A luta institucional, a defesa intransigente do respeito à soberania popular expressa pelo voto, a mesma defesa, relacionada à ausência de crime de responsabilidade ou de qualquer espécie no afastamento da presidente Dilma, tem que ser impulsionada pela inteligência e novas/criativas formas de contestação que surjam das ruas.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *