TEMER: o golpista decorativo (clóvis veronez)

TEME

 

Muitos dos que embarcaram na lorota do “impitimam” cometeram um grave erro político, resumidamente: comparar e até justificar o impedimento, por outro na história recente, aquele do Collor.

No seu cálculo imaginaram uma atmosfera colaborativa/otimista e um sinal positivo colocado a frente da expectativa geral.

Temer no seu discurso, lotado de engasgos, tentou recriar aquela atmosfera. Convocou empresários, latifundiários, mídia e até o povo para esquecerem a crise, acreditarem em traidor e papai Noel.

Ao comparar o impitimam de Collor com Dilma, a única coisa que maquinaram astutamente, foi a “vontade geral” da população brasileira por mudanças no campo da política. Tanto no passado, como agora, de maneira breve, a população identifica-se com a caçada aos marajás, aquela da campanha do Collor e agora essa do Moro.

A cegueira do poder a qualquer custo, fez com que os conspiradores não vissem o fim das semelhanças com o afastamento da presidente Dilma pelo senado.

A nova fase, o governo interino do Temer, demonstrará a impossibilidade do comparado golpista, sua fraqueza diante da legitima e hegemônica manifestação do povo brasileiro.

Arrisco a pensar de que, no plano simbólico e comunicativo será mais fácil associá-lo a figura de Temer do que a de Dilma.

Collor, para o imaginário popular, surgiu e elegeu-se com o “caçador de marajás”, aspecto moral que a mídia corporativa incorporou, a tese do golpe, na apologia a Lava Jato, criminalização da esquerda e no insuflamento de protestos canarinhos contrários ao governo.

Agora, isso pouco importa, será preciso atender aqueles aspectos materiais da “crise” cantada aos quatro ventos. Recuperação do poder de compra dos salários, emprego pleno, programas sociais, carga tributária, para citar alguns, compõe no seu conjunto, a pauta política do momento.

Temer não terá vida fácil. Não terá a legitimidade obtida por Itamar Franco. Nesse caso a história pode não repetir-se. Não colocará caras pintadas na rua que não seja pela sua deposição.

Ao contrário de Collor, Dilma não renunciou e acumula forças internas no Brasil e no mundo para denunciar a afronta contra a democracia. Temer é um traidor usurpador associado a uma horda de oportunistas e vaidosos históricos.

Não passa de um “golpista decorativo”, não pode atender a vontade da República Brasileira.

não fale

 

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