sobre cansaço e meritocracia (clóvis veronez)

carroça

De volta para casa, sempre cruzo a avenida Dom Joaquim.

Hoje não foi diferente, melhor, foi. Havia, numa das esquinas por onde passo, uma mulher, dessas que a vida parece maltratar. Diante dela, separada por uma grade, outra mulher lhe estendia o braço. Tinha na mão um copo d’água, Estacionada, na calçada, a carroça carregada de sucata e lixo domiciliar. Diminui o passo a ponto de escutar-lhes o diálogo:

  • Obrigado Dna, tava com sede.
  • Quer mais?
  • Só mais um pouco, to cansada, muito cansada.
  • Espera ai…
  • Sabe Dna, ainda falta um tantão prá chegar na minha casa, não vejo a hora.
  • É?
  • Sim, vou chegar e dar comida para minha pequena, depois vou descansar abraçada nela (riso). Mereço né. Obrigado Dna. (devolve o copo e alça a carroça na altura dos quadris inclinando o corpo franzino para seguir viagem)

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