A campanha de TV em Pelotas : candidatos de plástico x candidatos de pele e osso (clóvis veronez)

candidatos

Muitos já devem ter assistido ao novo Horário de Propaganda Eleitoral Gratuita. “Pérola” de Eduardo Cunha construída em paralelo ao impedimento da presidenta eleita como apoio para manutenção dos candidatos com maior recall. Ou seja, dos mesmos que alavancaram sua performance recente e que, cumprida a missão, devem destituí-lo do mandato na segunda próxima.

Não posso deixar de fazer, inicialmente, uma constatação: Os fatos políticos, mais relevantes, não são sequer arranhados pelas candidaturas. Sumiram na paisagem dos programas eleitorais, que reproduzem velhas fórmulas e potencializam o descredito para aquilo que é dito pelos candidatos (falo dos que tem tempo para dizer algo). Da forma que tem sido veiculada, a propaganda nada enriquece o debate ou a formação politica do eleitor.

A Internet, que chegou a representar uma esperança de equilibrar o tempo roubado à campanha não produziu nem produzirá, ao que parece, efeitos significativos. Ainda somos o país da TV, mas, nesta eleição, o fenômeno não aconteceu. A eleição ainda não entrou na casa dos eleitores, nem com a propaganda já presente na televisão. Ainda são altos os números para o quesito “Não sabe/Não respondeu”, nas pesquisas de intenção de voto.

O que se percebe são candidaturas insonsas. Quase todas, falando da mesma forma de eleições passadas.

Abaixo, minha percepção que certamente não é única, sobre as principais campanhas.

Miriam Marroni (PT)

miriam

 

A estrutura comunicativa do programa Miriam é boa. Provavelmente, os que assistiram possam lembrar os seus eixos – a “escola viva”, “saúde primeiro” e a “cidade prá frente”- muito embora, duvide de que alguém possa dizer do que se trata. Miriam tem uma performance que não entusiasma e, ao contrário de fazer a defesa da sua sigla e das conquistas obtidas pela população no ciclo petista, faz uma campanha “envergonhada” que, ai sim, todos percebem. Será o seu calvário. Miriam tende a perder votos e descer do patamar inicial de 20%.

Paula Mascarenhas (PSDB)

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A campanha da candidata Paula mascarenhas tem a cara e o perfil do, agora, “marqueteiro” Eduardo Leite. Limpinha e cheirosa mas não decola. O programa não define foco e abandonou o slogan inicial “por uma cidade mais humana e mais segura”. Isso, talvez tenha ocorrido, pelo simples fato de que existe uma quantificada (nas pesquisas) assimetria no direcionamento de benefícios e das obras do atual governo. No momento, investe na “ladainha”  – fizemos isso e aquilo (não resolveu) e que sabemos que ainda há muito a ser feito. A candidata é desajeitada, principalmente quando fala em movimento e, lhe falta simpatia. A tendencia desta campanha é o congelamento do percentual que detinha antes de começar, algo em torno de 30%

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As Campanhas de Miriam Marroni e Paula Mascarenhas parecem ser feitas de “plástico”, tanto pela falta de efeito do tempo na tez das candidatas quanto pela ausência de tônus político no discurso.

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Jurandir Silva (PSOL)jurandir

A campanha de Jurandir Silva, em que pese o tempo restrito e até por conta disso, poderia ser mais criativa. Mas Jurandir tem destacado, no seu discurso na TV, o propósito de conduzir um governo que inverta prioridades. No último adotou, inteligentemente e com viés eleitoral, o discurso anti golpe. Isso deverá canalizar boa parte do eleitorado de oposição e inclusive parcelas da esquerda anteriormente alinhada com o PT. Deve superar com folga os 10 % iniciais.

 

Anselmo Rodrigues (PDT)

anselmo

Anselmo é de longe o candidato mais empático. Teve problemas no início da campanha, mas soube conduzir para si a responsabilidade de corrigi-los. Adota um viés comunicativo “popular” e humanista. É, como sempre, original. Destoa positivamente no imaginário popular. Se existe algo de permanente nas conversas sobre a eleição é a ideia de que “o governaço vai incomodar”. Anselmo deve superar a casa dos 20% de onde partiu. O quanto possa superar, definirá sua chance de vencer a eleição.

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Anselmo e Jurandir formam um bloco de candidaturas feitas de “pele e osso”. Falta-lhes, ainda a “carne”.

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