Paula Mascarenhas: a visão das elites sobre segurança pública (clóvis veronez)

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Os mais atentos já notaram. Uma fórmula consagrada nas campanhas políticas é a seguinte: Os candidatos não devem dizer aquilo que realmente pensam, devem dizer o que os eleitores desejam ouvir. Assim, a partir de sondagens de opinião (as tais pesquisas), as campanhas definem os temas a serem tratados na propaganda eleitoral.

Nesta campanha, os três temas mais importantes são, pela ordem: 1- saúde, 2- Segurança e 3- Emprego/trabalho. Sendo que os dois primeiros praticamente se equivalem, em números, na opinião pública.

Não por acaso, a questão da segurança, tem ocupado boa parte do tempo das mensagens nos programas eleitorais. Sobre isso, queremos alertar, especialmente, sobre a forma como o problema é abordado pelos principais candidatos. Via de regra, o fazem atacando seus efeitos sensíveis, nunca as suas causas. Ainda mais: fazem pelo viés de parcelas restritas da população e focando, tão somente, o imaginário imediatista do conjunto “cidadania”.

As propostas apresentadas na atual campanha, sequer passam perto de alternativas reais para o enfrentamento da violência e da insegurança que inquieta a todos, muito especialmente, aqueles que são suas vitimas mais comuns: o povo pobre das periferias, os negros e a juventude.

Quero, a seguir, analisar a proposta do atual bloco governista.

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As propostas que assistimos, na candidatura Paula -PSDB, restringe o enfrentamento do problema ao seu viés repressivo. Tal candidatura propõe, ao “frigir dos ovos”, que o município substitua o Estado na sua função constitucional, como se isso fosse possível. Centro de monitoramento de câmeras, ampliação da guarda municipal e agentes de transito estendendo-lhes a função de polícia, investimentos em armas e outras ações na mesma linha. A candidata não faz, ao longo da sua propaganda, nenhuma menção a questão estrutural, as causas do problema e políticas públicas de prevenção. Investe no “senso comum” de que se armando, “até o padre”, o problema seria minimizado. O atual governo propõe investimento na ordem de 3,5 milhões em política repressiva e nenhum centavo em políticas de prevenção. Alias, é possível imaginar que os recursos aplicados na repressão, tenham origem, exatamente, nos que serão retirados da prevenção. No seu conjunto as propostas representam o atendimento das expectativas do centro financeiro, comercial e imobiliário do município e a retirada de ações nas zonas com maior incidência de criminalidade. Paula esquece que uma “cidade mais humana e mais segura“, seu slogan abortado, será uma cidade mais justa.

Contraponto e Estatísticas

Estudo do Ipea (instituto de pesquisa econômica aplicada), divulgado em agosto de 2016, aponta a educação como a principal política social de redução da violência.

A pesquisa, que analisou a relação entre o número de homicídios e a qualidade das escolas localizadas em 81 municípios brasileiros, aponta a educação como a principal política social de redução dos assassinatos. “Esse estudo refletiu o que se produziu de melhor nos últimos 12 anos em relação à política pública. Um conjunto de instrumentos ajudou a repensar o uso da repressão como única forma de fazer segurança pública e a educação é uma delas”, afirmou o chefe de Gabinete do Ipea, Fábio de Sá e Silva.A educação é o passo inicial para a redução dos homicídios. Para cada 1% a mais de jovens entre 15 e 17 anos nas escolas, há uma diminuição de 2% na taxa de assassinatos nos municípios. Essa foi a principal conclusão da Nota Técnica Indicadores Multidimensionais de Educação e Homicídios nos Territórios Focalizados pelo Pacto Nacional pela Redução de Homicídios, apresentada na manhã desta quarta-feira, 11 de maio, no Ministério da Justiça, por Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto. O estudo mapeou as condições educacionais nos territórios prioritários para focalização no âmbito do Pacto Nacional pela Redução de Homicídios (PNRH).

Concentração dos homicídios

Para Daniel Cerqueira, a questão dos homicídios no Brasil merece, antes de qualquer coisa, ser focalizada. O pesquisador mostrou que os 81 municípios presentes no PNRH concentravam 22.776 homicídios (48,6% do total no país) em 2014, porém, com alta concentração em poucos bairros, 4.706. No Rio de Janeiro, por exemplo, 50% dos homicídios aconteceram em 10% dos bairros (17 bairros). “Um quarto dos homicídios no país estão localizados em 470 bairros. Dá pra gerenciar isso”, garantiu.

Entre outros fatores, Cerqueira ressaltou que o crime não é uma constante na vida do cidadão. “Existe um ciclo que começa por volta dos 12 ou 13 anos e vai até os 30. Se a pessoa não se envolveu até essa idade, dificilmente se envolverá”. Esse é um dos motivos da importância da escolarização. “Se o grupo de colegas dentro da escola é melhor do que aquele que o jovem tem fora, nas ruas, o comportamento dele tende a melhorar, o que acaba afastando-o das atividades criminais”, declarou o técnico do Ipea, acrescentando que as chances de homens com até sete anos de estudo sofrerem homicídio são 15,9 vezes maiores que aqueles com nível universitário.

A renda também influencia na diminuição dos homicídios. A expansão de programas de distribuição de renda, associada ao aumento da escolarização de adolescentes entre 16 e 17 anos em situação de vulnerabilidade, ajudou a diminuir o número dos assassinatos. A pesquisa explica que isso acontece porque o aumento na renda da família reduz a necessidade de o adolescente envolver-se com o crime por motivações econômicas.

A solução do problema da violência e da segurança pública, deste prisma, passa bem longe das propostas apresentadas por Paula Mascarenhas. Entre os candidatos é a que melhor expressa a visão estreita das elites, sobre o problema da segurança e da violência.

Um comentário

  • É uma vergonha para a classe dos professores ter como candidata a Paula, que ao menos se diz professora, e que representa a repressão ao invés de apresentar uma proposta de Educação e de inclusão social.

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