Centrais promovem dia de mobilização nacional na quinta (22)

Atividade é encarada como ensaio de greve geral no país

Protesto do dia 11/09. Na quinta, manifestação focará questões trabalhistas e previdenciárias - Créditos: Dino Santos/CUT

As maiores centrais sindicais do país promovem um dia nacional de paralisação nesta quinta-feira (22). Sob o mote de “Nenhum Direito a Menos”, as entidades consideram a mobilização como uma atividade preparatória e de construção de uma greve geral no país.

Em Pelotas, o transporte público estará paralisado até ao meio dia. E, um grande ato ocorrerá, as 7:45 H. na entrada do calçadão (em frente a Kautz). O objetivo é atuar junto aos estabelecimentos do comércio, convencendo sobre o fechamento e engajamento na paralisação.

Participam da série de atividades, que se contrapõe às medidas que a gestão do governo não eleito de Michel Temer (PMDB) vêm anunciando em relação ao mundo do trabalho, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), InterSindical, Nova Central, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Força Sindical – a última, inclusive, apoia o governo do peemedebista. Além das centrais, movimentos populares também se somarão às mobilizações na data.

Unidade

“As centrais sindicais mais os movimentos populares promoverão um dia de paralisações, mobilizações e passeatas. Será um ato unitário, que vai ocorrer durante todo o dia”, explica Wagner Gomes, secretário-geral da CTB.

De acordo com Gomes, a principal bandeira da mobilização será a denúncia das medidas que vem sendo anunciadas por Temer em relação à reforma trabalhista e previdenciária: “Somos contra uma reforma da Previdência que estipule uma idade mínima para aposentadoria; contra aumento de jornada e contra flexibilização das relações trabalhistas”.

Os sindicalistas criticam a postura do governo em relação ao debate destas questões. “Tudo ainda está muito jogado no ar. Ninguém diz as coisas como deveriam ser ditas. O governo apresenta uma coisa, depois muda e diz que não falou. O presidente da CNI [Confederação Nacional da Indústria] falou em 80 horas, depois recuou. Vem o ministro do Trabalho e fala 12 horas por dia, multiplicando por cinco da 60”, aponta João Cayres, diretor da CUT nacional e secretário-geral da CUT paulista. “Essa história da idade mínima vai prejudicar justamente os mais pobres, que começam a trabalhar muito mais cedo, vão ter que trabalhar muito mais para se aposentar”, diz.

A Frente Brasil Popular – articulação de movimentos populares, coletivos feministas e de juventude e entidades sindicais – também aderiu à paralisação e também critica as propostas de congelamento no investimento público e o pacote de privatizações, incluindo a entrega do pré-sal.

Ensaio

A ideia das centrais é que no dia 22 se inicie um processo mais amplo de construção de uma greve geral no país caso seja necessária.

“A gente acredita que o governo está segurando um pouco por conta das eleições municipais. Depois disso, vão querer passar o trator. Precisamos estar atentos e preparados”, diz Cayres. “[Nesta quinta-feira], a intenção maior é fazer [mobilizações] nos locais de trabalho, nas várias regiões. Nós vamos realizar assembleias nas fábricas – no setor público também, como em hospitais – explicando para os trabalhadores o que está em risco. Há 55 projetos [de lei] no Congresso que incluem retirada de direitos”, completa.

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