A memória é curta o desafio é grande (clóvis veronez)

paula

Findou o grande espetáculo da eleição municipal. Nunca antes, na história desta cidade, um resultado tão dilatado.

Quem não conhece Pelotas, dirá que a administração municipal foi, durante os quatro anos que se encerram, do agrado e aprovação dos 60 % de cidadãos locais que a reelegeram. Sim, trata-se da reeleição do grupo político que administrou a cidade no ultimo período. Desculpe, esqueci! Não foi no último período, minha memória, como a da maioria, parece haver encurtado – faz 16 anos em que a fórmula se repete.

Para efeito, do que quero demonstrar, a tal memória encurtada, ficarei com os quatro últimos e tomarei como referência a serie de 12 pesquisas realizadas pelo Observatório Pelotas nos últimos 2 anos.

A série começou nas vésperas da eleição geral de 2014 (setembro). Naqueles dias, constatávamos uma aprovação pífia do governo Eduardo Leite, algo em torno de 7 % da cidadania local considerava o governo bom ou ótimo e 70% o desaprovavam, ou seja, consideravam ruim ou péssimo os dois primeiros anos do governo “de cara nova”.

Em março de 2015, o índice positivo alcançava a casa dos 10 % e o negativo ficava ao redor dos 65%. Isso representa que o governo local tinha índices de aprovação muito próximos e até inferiores aqueles que justificaram, no senso comum, o afastamento da presidenta eleita no Brasil. Logicamente sem que lhe fosse exercida a mesma pressão.

Em junho de 2015, transcorridos dois anos e meio do mandato, questionados, pela primeira vez sobre a direção do voto no pleito de 2016, os pelotenses que admitiam haver votado em Eduardo Leite (68% deles), afirmavam que não repetiriam, de maneira alguma, seu voto. A avaliação do governo havia melhorado, mas não ultrapassava os 15 %.

De julho a dezembro de 2015, com o início de algumas obras de infra estrutura, patrocinadas pelo Governo Federal que começava a ruir, via PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), o prefeito obtinha o seu primeiro salto de avaliação positiva, chegava aos 20 %. Havendo, também, uma migração da avaliação negativa para a casa do regular. Ou seja, passados três anos de um período de quatro, a população, na sua grande maioria, ainda, 48 % considerava ruim ou péssimo o governo que se reelegeu.

Ocorreria, neste período, o primeiro ato da opera marketing com vista à reeleição: A suspensão do carnaval para a aplicação em publicidade, ops, esqueci de novo, em saúde. Começava, também, uma jornada curta em que a administração local distribuiria beijos com a boca da Dilma: residências do “Minha Casa Minha Vida”, obras viárias e a tão badalada UPA

Mas vamos avançar, diretamente a junho de 2016 restando, portanto, três meses para a eleição de ontem, onde submetida a um teste de potencial eleitoral a população respondia da seguinte forma a questão proposta pelo Observatório Pelotas:

“Se a eleição fosse hoje e o prefeito Eduardo Leite fosse candidato, me diga o seguinte”:

  • Votaria com certeza – 27 %
  • Poderia Votar – 16 %
  • Não votaria com certeza – 57 %

Desta data, até ontem, muita coisa mudou: a cidade foi escavada, o asfalto de algumas vias removido e trocado por um novinho em folha, gente capinando pra todo lado, escola pintada, escola comprada, obra inaugurada e uma porção delas planejadas para o horário da televisão. A ópera marketing ganhava seu roteiro final. A televisão faria o resto, e assim foi!

E olha que esquecido, não citarei outros palanques mágicos – aquele dos terrenos lá no Dunas me ofuscam a memória.

O resultado veio a galope no domingo 2 de outubro.

No legislativo, um novo fenômeno – Daniel da TV-, ilustre novo legislador das esperanças perdidas do povo.

No executivo, outra “cara nova” (nem tão nova assim) ascende às alturas do paço municipal. Mais alto do que a altura dos “drones” da sua campanha. A memória é curta e o desafio de acomodar a realidade dos cofres raspados, do pastor ao policia passando por tão ampla gama de políticos aliançados nas tetas do povo, agora, é a mais dura realidade. Será que tudo continuará tão rápido ou teremos que esperar o junho de 2020?

 

 

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