A eleição que não acabou e o adversário que não tomba (clóvis veronez)

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Bastou ser anunciado o resultado da eleição presidencial, naquele outubro de 2014, para que os derrotados erguessem a voz pedindo o impeachment da presidenta que acabava de ser reeleita. De lá para cá, foi o que se viu: o governo paralisado por uma ofensiva parlamentar, midiática e judicial que mergulhou o país numa crise política e potencializou geometricamente a crise econômica.

O circo de horrores, capitaneado por Eduardo Cunha e seus “aliados de ocasião” na grande mídia e judiciário produziram a atmosfera necessária ao impedimento da presidenta em meio a um mandato sabotado que sequer começou.

A crise, sabiam eles, seria o sacrifício necessário. Afinal, a reeleição de Dilma e um mínimo de estabilidade no seu segundo mandato representariam, muito provavelmente e ao cabo, a volta de Lula a presidência em 2018. Seria mais do que necessário, diria vital, estender o desgaste imposto a Dilma e ao seu partido à figura de Luiz Inácio Lula da Silva impedindo sua candidatura.

Ocorre que nem tudo que foi planejado produziu o efeito esperado.

Lula foi e é o melhor presidente da história do Brasil na percepção dos brasileiros. E isso, a relação custo beneficio, tão bem explicada pela teoria da “escolha racional”, não será tarefa fácil destruir.
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Da Rede Brasil Atual – Para o sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, o resultado da pesquisa realizada pelo seu instituto, divulgada na última terça-feira (18), que aponta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando as intenção de voto para as eleições de 2018 com 35%, deve causar preocupação aos seus concorrentes. “Esse desempenho mostra que há razão para os adversários de Lula temerem a presença dele nas eleições de 2018. Hoje, certamente, ele é favorito.” Coimbra comentou os resultados em entrevista à Rádio Brasil Atual na manhã de hoje (20).

Além de liderar, Lula avançou cinco pontos desde o último levantamento realizado pelo Vox Populi. Segundo Coimbra, esse avanço aponta para a força e resistência da imagem do ex-presidente, que ostenta altos índices mesmo após as acusações de corrupção e da “cobertura muito desfavorável da quase totalidade da imprensa”.

Outro fator apontado pelo analista é a fragilidade dos adversários. “Aécio está mal. Alckmin cresceu, mas ainda não chegou num conhecimento nacional relevante. Marina Silva caiu muito entre as duas pesquisas.”

Coimbra aponta migração de votos de parcela progressista do eleitorado de Marina Silva (Rede) em direção ao ex-presidente Lula. Já entre os tucanos, ele destaca queda do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu parte significativa do seu capital político marcando 15%, e a possibilidade de crescimento do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que registrou números equivalentes aos de Aécio, mas com menor conhecimento geral, já que faz quase dez anos desde a última vez que disputou eleições.

Já na pesquisa espontânea, Lula tem ainda maior destaque, já que as intenções de voto a ele atribuídas superaram o somatório de todos os demais personagens citados. Outro fator que colabora para o seu favoritismo em 2018 é que 42% do eleitorado considera Lula como o melhor presidente.

Para Coimbra, todos esses números sugerem que o ex-presidente conseguiu atravessar todo esse período de denúncias e massacre midiático mantendo a admiração e o respeito de parcela importante do eleitorado. Também contribui a melhora da percepção da população em relação aos governos do PT em geral, que teve avaliação melhorada de 36% para 56%, a qual Coimbra atribui à saída de Dilma, que concentrava em sua figura grande parte da insatisfação popular.

O sociólogo ainda chama a atenção para números ruins relativos ao presidente Michel Temer e o seu governo, que só perde em impopularidade para o deputado cassado Eduardo Cunha, seu colega de partido (PMDB). “Todos os partidos que compõem a base do governo vão ter que lidar com isso. O governo tem uma avaliação muito ruim. Temer não é uma pessoa de quem a população gosta, e as políticas principais com as quais ele está comprometido tem um alto nível de rejeição.”

Lava Jato

Coimbra também viu com preocupação o fato constatado pela pesquisa de que quase metade da população duvida das motivações e seletividade adotada pela Operação Lava Jato, inclemente com petistas e leniente com os demais. “É um resultado muito preocupante para uma instituição como o Ministério Público. O correto seria que 100% das pessoas atribuíssem isenção. Por definição, o Ministério Público não pode se mover por paixões particulares, perseguindo um ou outro. É preocupante.”

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