Os “ocupa” e a mudança dialética (clóvis veronez)

dialetica

Pelo que acompanhamos, iniciou-se, nos últimos dias, uma contra ofensiva do governo Temer e dos movimentos patrocinados pelo mandato pirata e sua base mancomunada, no sentido de forçar a desocupação das escolas e reprimir o movimento.

Atos de força policial ou/e de milícias organizadas, espalham agressões e intimidações aos jovens que assumiram o protagonismo da luta democrática no país. Truculência e atos de puro fascismo são a marca da atuação destes grupos.

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Por que isso ocorre?

Todas as coisas implicam um processo. Esta lei é verdadeira para todo o movimento ou transformação das coisas, tanto para as reais quanto para seus reflexos no campo das ideias. É a tal da dialética.

Todo movimento, opera-se por meio das contradições ou mediante a negação de uma coisa – essa negação se refere à transformação das coisas. Dito de outra forma, a negação de uma coisa é o ponto de transformação das coisas em seu contrário.

O espectro político golpista aliado aos barões da mídia, produziram uma atmosfera de imbecilização nacional. Montaram uma esparrela moralista, seletiva e alienante difícil de escapar. Produziram, afinal, a lassidão diante do cenário politico nacional e as condições subjetivas fundamentais ao retrocesso que presenciamos.

Um ponto fora da curvarepressao

A retomada dos movimentos estudantis, pela primeira vez tendo na vanguarda os secundaristas, foi o ponto fora da curva no deserto da resistência política de até então. A ocupação de mais de mil escolas pautou, mais do que qualquer outro movimento, a discussão sobre as medidas ilegitimas do governo Temer. Seria preciso, entenderam depressa, freá-las.

O movimento dialético das ocupações

O movimento “ocupa” é essencialmente positivo. Do ponto de vista da abordagem dialética representa a negação da negação. Significa, historicamente, afirmação. Quando se nega algo, diz-se não. Esta é a primeira negação. Não ao desencanto é preciso revitalizar a esperança! Quando replica a negação – O espaço nos pertence- o resultado é algo como movimento espiral, em direção  a  práxis histórica.

Assim, uma dupla negação do movimento “primavera secundarista” não significa o restabelecimento da afirmação primitiva (lassidão) , que conduziria de volta ao ponto de partida, mas resulta numa nova atitude. Esse processo da dupla negação engendra novas “coisas” ou propriedades: uma nova forma que suprime e contém, ao mesmo tempo, as primitivas propriedades.

Como lei do pensamento, assume a seguinte forma: o ponto de partida é a tese, proposição positiva; essa proposição se nega ou se transforma em sua contrária – a proposição que nega a primeira é a antítese e constitui a segunda fase do processo; quando a segunda proposição, antítese, é, por sua vez, negada, obtém-se a terceira proposição ou síntese, que é a negação da tese e antítese, mas por intermédio de uma proposição positiva superior – a obtida por meio de dupla negação.

A união dialética não é uma simples adição de propriedades de duas coisas opostas, simples mistura de contrários, pois isto seria um obstáculo ao desenvolvimento. A  característica do desenvolvimento dialético é que ele prossegue através de negações.

Nada permanecerá com antes, a história é um carro alegre

Segundo Engels (ln: Politzer, 1979:202), “para a dialética não há nada de definitivo, de absoluto, de sagrado; apresenta a caducidade de todas as coisas e em todas as coisas e, para ela, nada existe além do processo ininterrupto do devir e do transitório”. Nada é sagrado significa que nada é imutável, que nada escapa ao movimento, à mudança. Devir expressa que tudo tem uma “história”. Tomando como exemplo uma maçã e um lápis, veremos que a maçã resulta da flor, que resulta da árvore – macieira – e que, de fruto verde, a maçã passa a madura, cai, apodrece, liberta sementes que, por sua vez, darão origem a novas macieiras, se nada interromper a seqüência. Portanto, as fases se sucedem, necessariamente, sob o domínio de forças internas que chamaremos de autodinamismo.

Assim, “quem diz dialética, não diz só movimento, mas, também, autodinamismo” (Politzer).

Eu vou à luta é com os “ocupa”

Eu vou a luta é com a juventude

Vou na “astronave” que conduz ao futuro

Onde a vida, a emoção e a razão irrefutável

Possam mais do que a besta Capital

Suas armas, retórica  e asseclas.

Viva Ana Julia

Os estudante do IFSUL e do Brasil inteiro

E, agora, os do ocupa Colégio Pelotense

Estamos juntos.

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