NEM TUDO QUE PARECE É (clóvis veronez)

nem-tudo

 

  • Herança Maldita–  “Essa foi a situação encontrada pelo governo”. (grita a dispendiosa campanha veiculada nos principais jornais do país) A longa peça publicitária estampa um retrato detalhado das consequências da crise econômica que vivemos e do ajuste fiscal.)
  • Primeira Dama (afastando-se em Brecht) (Bia Doria desfila no seu Porsche Cayenne mas se sente uma Evita Peron)
  • Doria- “Sou mais do povo, me sinto do povo”. (inquieto)  Quem sabe um dia todos vão poder usar Ralph Laren?” (Doria é mais político e marqueteiro que qualquer outro mas venceu as eleições se autointitulando gestor)
  • (do Doria)- acredito no que ele prega: se aplicar metade das propostas de campanha , São Paulo vira Manhattan.
  • (A 400 km de um Rio em tiroteio entre favelas, inadimplente , onde o tráfico manda fechar quando bem entende o comércio de Ipanema e Copacabana , e o carioca acaba acreditando que só a Igreja e a política espiritualizada salva.)
  • Coro dos Coxinhas– Vamos tirar o Brasil do vermelho para voltar a crescer”, (convoca a frase-título que manda o país de volta aos tempos da Guerra Fria)
  • Cidadão-Mais fácil que pescar o trocadilho é perceber que as propostas que o governo coloca na mesa estão na origem do desastre e não vão levar à retomada do crescimento. Menos ainda ao saneamento das contas públicas. (amassa o jornal)
  •  O escritor– Nada é o que parece, é só ler o escritor anglo-irlandês Jonathan Swift em 1733 ” A Arte da Mentira Política” ou o psicólogo espanhol José María Martinez Selva, “A Grande Mentira”. Os políticos mentem mais porque precisam seduzir as pessoas, falar de um futuro imprevisível. Mentir é a arte de convencer o povo. Também vale se orientar pelo livro “Verdades e Mentiras” , na lista da semana dos mais vendidos, de Cortella, Dimenstein , Karnal e Pondé. Ou “O Declínio da Mentira” de Oscar Wilde.
  • Marcela– Pouco importa: Sou bela, recatada e do lar, mas não gosto de crianças deficientes e meu velho também não hihihihihi (ri histericamente)
  • Deputado– Não tem dinheiro: vai estudar na Usp.
  • Mendigo– Quanto foi o Jogo? Tem um cigarro ae?
  • Estudantes (em cortejo)- Mas como retomar o crescimento desligando de vez o motor dos investimentos públicos, se o resto do mundo ainda patina e a massa de desempregados não contribuirá em nada para uma retomada do consumo e das vendas?
  • Empresário– Qual empresário vai investir em novas máquinas se a capacidade ociosa da indústria continua aumentando e mal há dinheiro para pagar dívidas anteriores? É melhor aplicar no Mercado.
  • Coro (outro)- A propaganda de governos autoritários costuma combater seus adversários canalizando os temores com a crise para bodes expiatórios, mas preocupam-se em entregar alguma coisa: emprego, renda, crescimento econômico. Concentrar os investimentos públicos em publicidade pode ser pouco para galvanizar algum apoio popular.
  • Nobel-E para entender os limites do ser humano, se aprofundar no romance do argentino-canadense Albert Manguel, “Todos os Homens São Mentirosos” . Mas não é nos candidatos com tantos limites que queremos votar e deixar governar. Só que eles precisam encantar e nós precisamos acreditar em alguma coisa embora, como cantou o Nobel
  • Bob Dylan– “só quero dizer que posso ver através de suas máscaras”.

(Textos jornalisticos)

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