De Adoniran a Roda Viva: era o prenúncio do AI-5! De ator preso até estudantes torturados: Coincidência? (clóvis veronez)

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A polícia justificou a prisão de um ator na cidade de Santos – SP, durante a encenação da peça  ‘Blitz – O império que nunca dorme’, por “entender” que o espetáculo encenado seria de “mal gosto”. Um juíz autoriza o emprego de técnicas de tortura aos estudantes participantes de uma ocupação, sob alegação de que não poderiam estar lá desacompanhados dos pais.

O filme não é novo. O documento, acima, mostra o emprego do argumento de “mal gosto” aplicado a um tema musical bastante conhecido.

Em 1968, o Brasil vivia um momento de contestação. Manifestações de protesto eram frequentes e a contestação ao regime militar foi se tornando cada vez mais explícita.

Foi nesse ano que a peça “Roda Viva”, de Chico Buarque de Hollanda, foi montada pela primeira vez. Chico já era na época um ídolo consagrado da música e era tido como “bom moço”. Mas a peça mostrou o oposto — criou muita polêmica ao contar a história de um cantor que torna-se famoso e depois vê seu sucesso diminuir (qualquer semelhança com Chico Buarque não era mera coincidência).

A encenação da peça chocou o público. Os atores diziam muitos palavrões, havia cenas de nudez, referências pouco elogiosas à Igreja Católica. Era contestação a quase tudo. Foi um escândalo que chocou o público mais conservador, embora a peça fosse um sucesso de público.

Além de chocada, a direita resolveu agir. E a reação chegou ao ponto máximo quando um grupo de pessoas que se dizia do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) que assistia à peça subitamente se levantou de seus lugares, invadiu o palco, espancou atores e destruiu o cenário. Hoje, na calda dos acontecimentos recentes, temos a milícia do MBL e a mão de ferro de juízes cuja atuação lembra a atmosfera sombria que antecedeu ao AI-5

Será, apenas, uma coincidência?

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