OCUPA: a onda de contra cultura no oceano da barbárie (clóvis veronez)

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O jornal o Globo no sábado (5), estampou a  declaração de uma estudante paranaense, sobre o fato de ter viajado muito e ter não ter realizado a prova em MG:

“Desocupados”, teria dito a jovem.

g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2016/11/desocupados-desabafa-jovem-que-viajou-17h-e-perdeu-enem-em-mg

É, realmente, lastimável que mais de 350 mil estudantes tenham tido suas provas transferidas para dezembro. Entretanto, a ‘ocupada patricinha’, sem perceber o papel que lhe foi destinado, como pueril celebridade do senso comum que o jornal Globo imprime e o G1 replica, foi logo vociferando a causa imprópria da intolerância desinformada.

Transferir a responsabilidade da trapalhada de suspensão do Enem ao estudantes que ocupam as escolas significa, em última análise, atestado de desinformação.

Ora, todos, e, especialmente, aqueles que buscam acesso ao ensino superior deveriam saber do que move o processo de ocupações das escolas, mais ainda: a responsabilidade pela não realização do exame nos educandários ocupados, deve-se exclusivamente a intransigência do governo Federal  por ter negado a sua viabilização, mesmo diante da tentativa da UBES de pactuar as condições para que isso não ocorresse, a exemplo do que aconteceu nas eleições municipais, onde tudo transcorreu dentro da normalidade.

Trocando em miúdos, o jornal Globo que nenhum espaço destinou aos representantes de 1300 escolas ocupadas, segue cumprindo o papel de capacho (bem pago) de um governo pirata, repressor e que nega o diálogo com as ocupações, preferindo apostar na tática de jogar estudante contra estudante.

As ocupações, devem priorizar nesse momento e com apoio da parcela mais esclarecida da sociedade, suas estratégias comunicativas. Nesse sentido, deve ser responsável por levar os sujeitos envolvidos a perceberem sua importância na vida do outro, suas responsabilidades diante do mundo e as capacidades que deve desenvolver para exercitar essas práticas no decorrer da vida.

Como saldo, de um movimento do porte das ocupações, talvez não se deva esperar a vitória objetiva no seu propósito maior, tendo em vista não depender somente delas, mas de todo um conjunto de forças que tiveram a capacidade de mobilizar. Mesmo assim é justo arrolar um conjunto de conquistas subjetivas e valores inarredáveis da consciência dos que participaram desse momento histórico da retomada do movimento estudantil e no despertar da plena cidadania que tão bem exercitaram:

Cooperação: onde o jovem ocupado percebe que a troca de conhecimentos e a sua participação são fundamentais para a concretização de uma atividade;

Sinceridade: quando busca a confiança nos outros, mas principalmente quando exerce nossa própria sinceridade e autonomia nas decisões.

Respeito: princípio básico para receber respeito.

Diálogo: para resolver impasses, divergências de opiniões.

Solidariedade: essa é a palavra que vincula afetivamente entre as pessoas. Ser solidário é uma grande virtude, o sujeito demonstra sua preocupação com o outro, ajudando a construir uma sociedade mais justa.

São valores e atitudes que ficaram na memória dos participantes do OCUPA. Representam, mais que tudo, uma nova onde de “contra cultura”, no oceano da barbárie que nos assombra.

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