A esparrela midiática em torno das medidas contra a corrupção (clóvis veronez)

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O debate que tomou conta da imprensa golpista quer fazer crer que algo do tipo: uma “carta branca” ao judiciário, deva ser ser o caminho para a redenção da nação brasileira.

Ora, ora, ora… para os defensores da tese, acabar com a corrupção implicaria tornar imensurável (numa acepção teológica) o poder do judiciário como se infalível, onipotente e onipresente fosse.

O Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse em nota que o Judiciário e MPF se encontram “intimidados” pela Câmara. Intimidados? O judiciário não se encontra nem um pouco intimidado: esteve na linha de frente do golpe contra a democracia brasileira e aliado a um governo pirata articula contra os trabalhadores. Basta ver sua atuação diante de temas como a reforma da previdência, reforma trabalhista e restrição ao direito de greve do funcionalismo público.

Onde está a “intimidação”?

Mas quero, ainda, destacar a posição do Prof da UNB Luis Felipe Miguel. Ele diz: “Restrição ao habeas corpus, cassação de registro de partidos, admissibilidade de provas obtidas por quaisquer meios, vantagens pecuniárias a alcaguetes, emboscadas a funcionários públicos, transformação de delitos em “crimes hediondos”, extensão ao infinito do instituto da prisão preventiva… Não são medidas que possam se adequar a uma sociedade democrática. E é pior ainda quando sabemos que polícia, ministério público e judiciário estão orientados a agir seletivamente, contra alguns grupos e partidos e não contra outros”.

No momento em que o golpe começa a fazer água, a mídia corporativa, a extrema direita sem votos e oportunistas na própria esquerda, replicam o debate insosso criando com isso uma cortina de fumaça que assemelha-se ao gás lacrimogênio lançado contra os estudante  em Brasília.

Evidencia-se uma clara divisão nas fileiras golpistas entre os traidores da democracia e os que legitimaram, através da farsa jurídica, o golpe contra a população.

Volto, como conclusão preliminar, a opinião do Prof Luis Miguel:

“Nosso lado é outro, é o lado da rua, contra as medidas antipovo que estão sendo levadas adiante com o apoio de todos eles: PMDB, PSDB, Ministério Público, Judiciário. Esse corte divisório é muito mais central que o que se refere ao pacote anticorrupção”. Acrescento: Eles que se entendam.

A corrupção é inerente ao sistema capitalista, e superá-la significa enfrentar-se ao Estado burguês, contra o Executivo, o Legislativo e também o Judiciário, com outro projeto de sociedade.

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