De Martin Luther King a Maria Eduarda Alves, a violência que ameaça os sonhos

Racismo, violência, criminalização da pobreza, estigma e controle social seguem se misturando (e mantendo ao mesmo tempo cada um o seu lugar) ontem e hoje

Por Ronilso Pacheco
No The Intercept Brasil

No último fim de semana, a adolescente Maria Eduarda, de 13 anos, morreu atingida por três “balas perdidas”, mesmo estando dentro da escola, na Zona Norte do Rio. As balas são oriundas de um confronto entre policiais e bandidos na comunidade. Mais uma vez, o debate se fecha na culpabilização dos indivíduos: saber de onde vieram as balas para saber se os responsáveis são traficantes ou policiais. Outra vez, a estrutura perversa que abarca e mantém uma cidade violenta e exposta às (diversas) violências ficam de fora da discussão central, das investigações necessárias, das respostas coerentes.

No dia 4 de abril completam-se 49 anos da morte do pastor batista Martin Luther King Jr., ele mesmo vítima da violência das armas e das balas que, perdidas ou com endereço certo, ameaçam o direito à vida. De Memphis ao Rio de Janeiro, racismo, violência, criminalização da pobreza, estigma e controle social seguem se misturando (e mantendo ao mesmo tempo cada um o seu lugar) ontem e hoje. Por décadas, essa realidade segue inalterada.

A história da morte de Trayvon Martin, de 17 anos, em 2012 na Flórida, assassinado por um vigilante comunitário por achar que o adolescente era um suspeito que estava rondando a comunidade para roubar, pode muito bem ser equiparada à história do menino Douglas, também de 17 anos, assassinado em 2013, em São Paulo, por um policial militar que chega disparando ao abordar o adolescente. A única coisa que Douglas conseguiu dizer foi a pergunta “Por que o senhor atirou em mim?”.

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