O QUE REVELA, VERDADEIRAMENTE, A LISTA DE FACHIN (CLÓVIS VERONEZ)

isentão

Como o tempo passa apressado, estupefatos no presente, muitos podem esquecer dos fatos e desdobramentos recentes.

Diante do que se revela na mega delação da Odebrecht, vale lembrar, agora, das marchas ensandecidas dos domingos da Rede Globo e de muitos dos protagonistas da ladainha contra a corrupção, cujo resultado foi a instalação do mais enlameado “desgoverno” da história, num espetáculo deprimente de manipulação e cinismo.

A primeira e mais importante revelação da tal lista  é de que houve no Brasil uma conspiração de corruptos, respaldada nas oligarquias da mídia e seletivamente focadas  para subverter a democracia brasileira.

A segunda é que tal conspiração teve e tem um objetivo claro: transferir o custo da crise para quem nada tem a ver com ela – aos trabalhadores e aos extratos mais pobres da sociedade.

Terceiro: é que todos devem ser investigados e que as denúncias, até que se comprovem, partem de criminosos interessados em livrar a própria cara. Ouvi dizer, me contaram, imagino, servem apenas a seletividade num jogo inconfesso.

Por último e tão importante quanto a primeira: não existirá legitimidade e a paz social necessárias a reconstrução democrática, sem a convocação da vontade geral da sociedade pela via de eleições gerais e diretas.

É preciso devolver, ao povo, a soberania…

E ao campo popular, fazer perceber, que é preciso construir uma unidade pautada no futuro, na auto critica da sua prática política recente, sem esquecer de reconhecer e preservar a retaguarda dos seus acertos e conquistas pontuais.

Isso, diante da realidade, pode soar ingênuo, ainda que se faça verdadeiro.

Ou isso, ou o risco de permanecer preso na armadilha banal que lhe foi preparada pelo campo do inimigo comum, ou seja: fazer crer, de forma barulhenta, que a política é, irremediavelmente, um espaço contaminado e , com relação a ele, é preciso manter-se cético, alienado e distante.

Mais do que o convencimento ideológico, o campo conservador e os que lhe repercutem, perseguem metas concretas. No seu horizonte, o poto de fuga é a redução da existência e da própria vida ao espaço de uma “livre” disputa no mercado.

Quando miramos o futuro, não há antecipar o desfecho. O que existe, de fato, é um jogo pesado a nos desafiar.

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