O que está em disputa é o poder simbólico (clóvis veronez)

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O que uma parcela da esquerda faz, ao negar a prioridade da disputa eleitoral, é coro ingênuo ao discurso da mais raivosa, perigosa, violenta e ascendente direita de matiz fascista. No Brasil, essa direita saiu da casca, com apoio decisivo da mídia e do judiciário nos movimentos patrocinados para subverter a democracia e depor uma presidenta eleita.

No primeiro momento, tal fração da esquerda, simploriamente, negou a existência de um golpe em curso. No segundo, aliou-se aos camisas pretas brasileiros, numa cruzada tosca e moralista, enfraquecendo a resistência popular no seu conjunto.

Hoje, outra vez, arvoram-se de uma “virgindade” moral, que tira o pé da realidade da luta real, para contribuir com o objetivo final dos golpistas e suas organizações: liquidar, aniquilar, matar de morte morrida o símbolo de um processo inclusivo sem precedentes na história brasileira. Processo que não negam, mas que no entanto reservam status secundário, preferindo auto alavancar-se na crítica prioritária dos seus erros táticos, sob o argumento de que é preciso refazer a esquerda “pura”, mesmo que o custo represente entregar o aparelho do estado aos fascistas ou a qualquer “out sider” do campo liberal. Ou de outro modo, tentando fazer crer que a disputa eleitoral é menos importante do que o seu idealismo revolucionário, sem base real de sustentação no tecido social.

Ora, a história, caberia destacar, dialeticamente, é uma sucessão de erros e não de acertos.

Evidentemente é logico reconhecê-los, para que se possa avançar ao próximo e inevitável erro. Assim, sucessivamente. Diferente disso, é o idealismo fugaz sem qualquer base concreta na realidade.

A disputa que ocorre, neste instante, no Brasil, é essencialmente simbólica. Não existe, do ponto de vista das consequências imediatas uma terceira via à esquerda da esquerda

Vale, nesse momento lembrar, Bourdieu:

“Para descrever as produções simbólicas como instrumentos de dominação, Bourdieu se baseia na tradição marxista que privilegia as funções políticas dos sistemas simbólicos em detrimento da sua estrutura lógica e da sua função gnosiológica. Este funcionalismo explica as produções simbólicas relacionando-as com os interesses das classes dominantes. A cultura dominante contribui para a integração real da classe dominante, assegurando uma integração e uma comunicação entre os membros dessa classe e ao mesmo tempo os distingue de outras classes. Daí surge um importante conceito desenvolvido posteriormente por Bourdieu: a distinção. Pois a mesma cultura que une por intermédio da comunicação é a mesma cultura que separa como instrumento de distinção, que legitima a diferença das culturas exatamente pela distância da cultura em questão em relação à cultura dominante”.

E para que fique claro, vou repetir o final do texto que escrevi pela manhã:

Aos inimigos comuns, do povo e dos trabalhadores,

Não bastou afastar Dilma.

Não foi suficiente, atribuir a podridão da cultura politica brasileira, exclusivamente ao PT.

Não chegou, fazer uma múmia traidora presidente.

Nada foi suficiente, o inimigo ainda se move. Ele está vivo e é preciso abatê-lo, expor sua cabeça e tudo o que representa no imaginário popular. E, isso precisa ser feito antes da eleição.

 

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