Os dias eram assim… (clóvis veronez)

os dias
Me fala o que eu quero ouvir ou te mato afogado nesse balde…

A frase poderia resumir o conteúdo do capítulo da série “os dias eram assim”, exibido ontem pela Globo.

Vindo da TV da “famiglia” Marinho e sucedendo ao Big Brother na grade de programação, até se pode dizer que representa um avanço para o horário. Relata-se com a moldura de um amor shakespeariano, um período caracterizado pela implantação de um Estado de exceção. Nesse caso a ditadura militar brasileira, apoiada pela própria Globo. Isso é passado e, com toda a certeza, a série não vai dedicar uma cena sequer.

Corações e mentes amolecidas e lá vem o William Waack, notório capacho do seu tele jornalismo, para emoldurar com as “cores” da linha editorial os dias “mais ou menos assim” da atualidade.

Tal como em 64, a globo trata de defender um golpe, o estado de exceção, o ataque aos direitos da população e a democracia como uma necessidade indiscutível. Usa do terrorismo midiatico para defender as propostas de um governo golpista. Faz apologia das novas formas de tortura aplicadas no que chama de “colaboração premiada”, onde a frase inicial desse texto seria escrita com pequeno acréscimo:

Me fala o que eu quero ouvir, para em seguida reproduzir, ou apodreces na cadeia…

 

A Rede Globo é uma das maiores beneficiadas com a corrupção e com a supressão da democracia. Foi através dela que consolidou o seu império comunicativo. Ela é protagonista cínica e oculta nas “estórias” que conta. Do ataque de ontem e de hoje à democracia.

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