Bala de prata em corpo fechado, fará efeito afinal? (clóvis veronez)

bala

 

 

O golpe na democracia, inaugurado no instante seguinte da divulgação do resultado das urnas em 2014, chega à etapa derradeira da sua estratégia de destruição do estado de bem estar social, dos direitos históricos da classe trabalhadora e dos seus símbolos.

O primeiro momento (2014/15) definiu-se pela inviabilização do governo eleito nas urnas. O segundo (2015/16), pelo impedimento da presidenta. O terceiro (2017) é a ofensiva em curso para a destruição da figura politica e simbólica de Lula, que ocorre em paralelo, como uma necessária cortina, ao desmantelamento da previdência social e da legislação trabalhista, entregando o estado brasileiro ao controle incondicional do capital rentista.

Os atores golpistas, valem-se de um poder pirata, usurpado pelo ato traidor e amparado por uma quadrilha de corruptos predadores, que exercem sua violência destrutiva sobre os direitos dos trabalhadores, colocando-os de joelhos diante do capital saqueador da república.

Promove-se uma onda de denúncias originadas das bocas de corruptores confessos e atemorizados diante da possibilidade de repartir com os “bandidos comuns” o terror das celas.

A etapa atual  persegue, alem do desmonte do estado, prioritariamente a inviabilização da candidatura e uma ofensiva implacável à imagem de Lula. Seu alvo é a componente simbólica da resistência.

A figura de Lula, tanto quanto a de Getúlio Vargas no passado, incorporam aspectos que os aproximam do conceito de herói.

Aldo Fornazieri* assim descreve:

“Não podemos deixar de creditar a Getúlio Vargas e a Lula conteúdos e dimensões que os aproximam do conceito de herói e lhes emprestam funções simbólicas de reserva de poder mítico. Por qual razão Vargas e Lula encarnam este conteúdo e este conceito? Porque foram construtores, organizadores e depositários de uma vontade coletiva nacional, encarnaram uma “fantasia concreta”, a esperança de um futuro melhor, a ideia de uma remissão da miserável condição de um povo sofrido e abandonado. Por desempenharem essas funções, de alguma forma ou de outra, Vargas e Lula se tornaram preconceitos do povo, paradigmas de líderes políticos”.

“É preciso entender aqui que não se trata de endeusar ou mitificar nem Vargas e nem Lula. Trata-se de compreender o que eles representam simbolicamente para a constituição de uma consciência cívica e para um sentido da comunidade política.

Trata-se de compreender que, com seus acertos erros, com suas ambiguidades, eles significam o poder simbólico do povo brasileiro, que tem escassos recursos históricos para se mobilizar e se unir em torno de um propósito libertador, de justiça e igualdade”.

*Doutor em Ciência Política e Mestre pela USP-SP. 

Se você aprecia o conteúdo deste site, contribua para ampliar o alcance das suas publicações, curtindo (lá no topo) nossa página no facebook. Nosso crescimento é exclusivamente orgânico. https://www.facebook.com/www.observatoriopelotas.com.br

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *