As redes sociais e seus “atores” independentes estão inflexionando a opinião pública (clóvis veronez)

Há algo de sintomático no estudo, para alem da verdade que se expressa no título da matéria.

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(A “nuvem” de comentários da esquerda no twitter. Fonte: DAPP/FGV)

Uma análise das redes sociais elaborada pela Fundação Getúlio Vargas no dia 28 de abril, dia da greve geral, indica uma inflexão na percepção da população relativa ao cenário político nacional. O estudo revelou uma ampla dianteira da narrativa que afirma a perda de direitos nas reformas propostas pelo governo Temer.

De acordo com a publicação, o movimento de apoio à greve geral nas redes sociais foi a maior ação da oposição ao governo Temer até agora, com mais de 1,1 milhão de menções relacionadas à paralisação.

“O volume faz do evento o maior nas redes dos últimos anos, superando inclusive os maiores atos em favor do impeachment”, entre março de 2015 e março de 2016. Criada pela esquerda, a hashtag #BrasilEmGreve dominou o twitter, com 326 mil menções até as 17 h. Para comparação, a tag da direita, #AGreveFracassou, mesmo utilizando robôs, teve 28 mil menções apenas.

“É possível afirmar que a greve geral inaugura um novo momento na disputa política, em que a oposição ao governo adquire nas redes proporções similares ao movimento que, iniciado em 2015, culminou com o afastamento de Dilma”, diz o relatório elaborado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da fundação.

O que é sintomático?

O mapa do twitter sobre o debate no dia da Greve, demonstra duas coisas:

Primeiro – Uma já citada inflexão na opinião pública

Segundo- Que a disputa narrativa escapa, pelo lado da esquerda, das suas organizações políticas mais conhecidas e tradicionais, situando-se em núcleos e personagens independentes.

“Entre os perfis no twitter que mais se destacaram do lado dos “Vermelhos” estão a Mídia Ninja, o jornalista Xico Sá, a atriz Leandra Leal, o repórter do Incercept George Marques, o perfil de humor progressista Dilma Bolada e a jornalista Cynara Menezes, deste blog. Do lado “Azul” aparecem, bem distanciados em termos de interações, o BlogdoPim, do site da Veja, o perfil de humor reacionárioJOAQUINVOLTOU, e o roqueiro Roger, do Ultraje a Rigor”    

( socialista morena).

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(Fonte: DAPP/FGV)

Outra “nuvem”, produzida pelo professor Fabio Malini, do Labic (Laboratório de Estudos de Imagem e Cibercultura) da Universidade Federal do Espírito Santo, mostra com nitidez como os pró-Temer ficaram encurralados nas redes no dia da greve geral: na parte escura, os perfis que defenderam a greve dos trabalhadores contra as reformas e, em amarelo, os que a atacaram.

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“Os Vermelhos ganharam a guerra na comunicação ao relacionar as propostas com perdas de direitos. Desorganizados, os Azuis não foram capazes até o momento de demonstrar vantagens das duas propostas (reformas da Previdência e trabalhista) para a sociedade”, diz o texto da FGV. Um ano após o impeachment, o debate em torno da greve geral mostra que “as forças pró e contra o impeachment continuam dominando as discussões nas redes. Os chamados Vermelhos (pró-Dilma e pró-Lula) estavam acossados por meses pelas investigações da Força-Tarefa da Operação Lava-Jato e pela recessão de 2015. A mobilização em torno da greve geral mostra uma inflexão na relação entre Azuis e Vermelhos.”

Em suma, a vitória da narrativa popular, passa por fora do discurso das lideranças sindicais e dos partidos políticos. Não há relacionado entre os trend topics, nenhuma organização da esquerda. Os pólos narrativos, encontram-se em iniciativas jornalisticas e opiniões independentes, que desde o começo da resistência ao golpe branco brasileiro atuam como “renovadores” da comunicação politica e atores protagonistas da necessária unidade no campo da esquerda.

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