A Esquerda “Diletante” (clóvis veronez)

puritanos

Patético e ao mesmo tempo assustador é que num país campeão na discriminação, marcado por atos policiais e judiciais violentos e arbitrários exista também uma esquerda “diletante”, que faz de conta acreditar na isenção da operação Lava Jato no contexto da ferrenha batalha politica, atualmente em curso no Brasil.

Essa esquerda “ingênua” ignora, no seu faz de conta para torcida, a existência de setores politicamente ativos na “República Curitibana” excluindo das suas análises sua conotação de classe.

Tais setores, estão claramente identificados com a alta classe média que aliada ao parlamento oligárquico e a mídia corporativa, constituíram a força golpista que destituiu o governo eleito, para que se promovesse o conjunto de “reformas” neo liberais impostas pelo capital rentista internacional.

Armando Boito Jr, professor de ciência política na unicamp e editor da revista crítica marxista, descreve da seguinte forma essa situação:

“Os conflitos políticos envolvem classes e frações de classe variadas e repercutem, de maneiras distintas, nas instituições políticas e nas lutas de ideias. Parte importante do pensamento socialista e de esquerda no Brasil não logra analisar o conflito institucional atual como conflito de classe porque restringe a observação ao conflito capital/trabalho e descura a importância do fracionamento que divide a burguesia e também a importância da presença política da classe média. Até 2014, a burguesia brasileira encontrava-se dividida diante da política econômica, social e externa dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT).

A fração que denominamos burguesia interna apoiava ativamente, como se pode verificar pela consulta à imprensa das associações empresariais, a política neodesenvolvimentista desses governos, enquanto a fração integrada ao capital internacional e esse próprio capital, cujos interesses eram vocalizados pelo PSDB e por agências internacionais variadas, opunham-se a tais políticas.

A partir de 2013, a burguesia associada, valendo-se principalmente da oportunidade oferecida pela queda do crescimento econômico e pela mobilização da alta classe média contra o governo, iniciou uma ofensiva política restauradora para derrotar o neodesenvolvimentismo e restaurar a política neoliberal. As peripécias da crise, seus variados componentes, fizeram com que parte importante da burguesia interna mantivesse uma posição de neutralidade favorável à ofensiva da fração adversária ou, inclusive, aderisse a ela – como foi o caso patente dos industriais paulistas representados pela Fiesp. Parte ainda da burguesia interna foi violentamente atacada pela Operação Lava Jato e capitulou. A correlação de forças mudou radicalmente e o golpe de Estado foi bem-sucedido”.*

Frações dessa esquerda imaginaram,  que inviabilizado o governo eleito haveria um arrefecimento da Lava Jato e, apoiaram o golpe, aderindo a narrativa do combate a corrupção, surpreendentemente,  pelo núcleo histórico que lhe representa de forma mais nítida.

O elenco de juízes e procuradores de Curitiba, são o desenho de um quadro vivo do “ramo repressivo do aparelho de estado”, são a  sua alta casta. Produzem um  tipo de propaganda moralista que tem alimentado os tele jornais da oligarquia midiática com um único objetivo: impedir a candidatura de Lula em 2018, se é que permitirão a realização de eleições.

Os new puritanos da esquerda “diletante” fazem vista grossa para a história, esquecendo que a cruzada moralista anti-corrupção não caracterizou, em nenhum momento, a luta operário /camponesa. Ao contrário, é uma constante no reacionarismo político brasileiro. Sendo assim, os “viergens” atuam, na prática, como amplificadores das posições do MBL e do Vem Prá Rua.

A esquerda “diletante” incorre num duplo erro:

O primeiro é o de amplificar as posições de direita, sem nenhum saldo do ponto de vista qualitativo do combate a verdadeira corrupção e, também, nenhum quantitativo relativo a sua base social.

O segundo, e mais grave, é dispensar a chance histórica de ampliar a relevância da sua participação no campo amplo da esquerda viva e em movimento, via o fortalecimento da indispensável unidade política, demandada no atual momento histórico nacional, latino americano e internacional. Preferindo, de forma amadora e inconsequente, dar sequencia ao que julgam, assustem-se, a moralização do Brasil.

*na carta capital

 

 

 

 

 

 

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