Existe uma esquerda negra? (clóvis veronez)

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Inicialmente é justo dizer, que esse post é provocativo, no sentido mais leal que o termo “provocação” possa ter.

Tenho percebido, com certa frequência, a utilização da expressão “esquerda branca” para situar as questões raciais ou étnicas, como prefiro, no contexto amplo da luta de classes.

Tal expressão, implica a existência de uma esquerda negra, outra esquerda amarela, vermelha e assim por diante, tantas forem as colorações originadas na denominação.

Quanto a esquerda negra, vou pausar minha reflexão para tratar inicialmente da direita ‘negra, cuja existência posso constatar presente no ambiente da luta de classes, especialmente no Brasil.

Seus novos capitães do mato, tem nítida afinidade com o pensamento neo liberal e, no campo político, alinham-se as oligarquias, aos rentistas e aos grandes proprietários de terras. São meritocratas e contrários a qualquer politica compensatória. Sua posição coincide com a do capital, contrária aos trabalhadores brancos, negros, vermelhos, amarelos, sei lá quantas cores.

Essa direita negra, não menos direita por ser negra, tá nem ai para subdivisões da esquerda.

Voltando a esquerda negra, cumpre constatar a partir da realidade local (por ignorância, não posso oferecer outra), que ela está ausente dos fóruns de luta social enquanto organização politica autônoma. Em nenhum momento, sequer uma única vez, esse debate foi proposto ao campo amplo no curso das lutas recentes. Parece habitar, apenas, o círculo restrito de um debate acadêmico, que pouco interesse desperta, a quem deveria interessar para alem muros. Em que pese sua autoridade e produção teórica.

Da janela estreita, pela qual vejo o mundo e me desculpo agora, quero acreditar que existe apenas um espaço para a “esquerda negra”- do lado canhoto da luta de classes. Ao lado da fraternidade, do humanismo, da esquerda ampla, seja branca, amarela vermelha ou com as cores do arco iris.

A direita e a luta de classes, definitivamente, não escolhem cor. Ela prende fogo e desce o cassete, tanto no Rafael, no índio de mãos decepadas, quanto na menina branca adolescente do movimento pela moradia em MG.

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