não enterrem o jornalismo assim

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Do perfil de Henrique Mascarenhas de Souza. Por João Valadares

“Há uma desonestidade de análise de informação quando se diz que, no interrogatório, Lula jogou pra Marisa as questões do apartamento pq ela tá morta e não pode mais falar. Não concordo, mas até entendo que, na briga das torcidas partidárias, esse “argumento” escape de alguma maneira. Mas o que não pode é um jornalista, que tem a função de informar com precisão, independente do seu campo político e preferências partidárias, abraçar essa tese.

O motivo é muito simples: Lula disse exatamente a mesma coisa quando foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal. A versão é exatamente a mesma. Não há uma vírgula de diferença. Naquela época, quando prestou depoimento, Marisa estava viva.
Aqui, não analiso o mérito e a veracidade da versão do ex-presidente. Pode ser mentirosa? Pode. Apenas atento para um preceito básico do jornalismo: apuração. E, neste caso, é uma apuração relativamente simples. É só confrontar os dois depoimentos. São públicos. Um prestado quando Marisa estava viva e outro quando ela estava morta. São absolutamente idênticos. É fácil de entender. A cota estava no nome dela. Isso, ele já havia dito. Também já havia dito que não queria ficar com o apartamento, que achou ruim “para um velho como ele”. Basta ler.

Valeria todos os ataques se o ex-presidente tivesse contado uma história lá atrás e outra agora, depois da morte de sua companheira.
O jogo é pesado, mas não enterrem o jornalismo assim. Nem em nome do que vcs realmente acreditam”.

(João Valadares)

via Breno Claudio Bauer

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