A QUALIDADE DE SER UNO (por Manoel Soares Magalhães)

Uno

 

 

Deveríamos parar e pensarmos acerca do significado da palavra unidade sob um ponto de vista mais profundo. Sem pensar muito consideramos o termo como a qualidade de ser uno, de não poder ser dividido. Todavia, é pouco para a sua importância. Por exemplo: se olharmos a terra do ponto de vista de um planeta distante, a veremos pequena, do tamanho de uma bola de gude. Estremeço só de pensar que nós e todos os reinos da natureza cabemos numa bola de gude, reforçando a ideia de que unidade é condição que vai além de um simples conceito. Acaso pudêssemos nos imaginar vivendo numa bola de gude, talvez ousássemos revisar nossos conceitos de convivência, tornando-nos mais fraternos uns com os outros, incluindo todos os reinos. Imaginem-se vivendo numa pequena bola nutrindo sentimentos de egoismo, separatismo, arrogância e falta de amor para com o próximo… Tão próximo que se torna um! É como se boicotássemos a nós próprios, condenando-nos à dissolução, à ruína moral, ética e espiritual. Exagero? Penso que não. Façamos um esforço e por instantes experimentemos a solidão do cosmo, fixando-nos naquela pequena bola navegando o vazio espacial… Estamos ali! Milhões reduzidos à unidade. Milhões com um só corpo, um só coração, uma só alma… Nutrindo os mesmos interesses, lutando pelas mesmas causas… Não seria bom? Pois é… Penso nessas coisas neste anoitecer de segunda… Não tenho cura?! Continuo o menino que sentava no quintal do chalé, cujo interior era iluminado pela cambiante chama do lampião a querosene, mirando as primeiras estrelas no firmamento. Não sabia, mas já me preocupava com a unidade.Detalhe da tela A árvore que dava livros (Manoel Soares Magalhães)
Acrílica s/tela
35×45

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