Manter Temer, fabricar um candidato, ferrar o povo: a tática da Globo (clóvis veronez)

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O texto do Noblat, escrito no O Globo de ontem (domingo), é um prato cheio de incoerências, mas reflete a expectativa da parcela encarregada da disputa comunicativa, pelo lado dos golpistas.  Começa pela tentativa desesperada de desqualificar o sentimento amplamente hegemônico da população, qual seja: a eleição direta-já como o caminho mais curto para resolver a crise de legitimidade que assola e castiga o país.

“Por ignorância, esperteza ou má-fé, tem-se atribuído à eleição direta para presidente o status de elixir infalível, capaz de purgar todos os males que se abateram sobre o país. E, em um lastimável arremedo da História, acrescenta-se a ela o advérbio já, o mesmo usado em 1983-84, quando o Brasil lutava para emergir de duas décadas de ditadura”.

Segue, tentando diferenciar o movimente que se ensaia agora daquele de 84. Ao faze-lo deixa claro o sentimento por detrás dos argumentos que emprega…

“Longe de ser um movimento para beneficiar candidaturas de um ou outro, as diretas-já de 1983-84 pressupunham retomar direitos usurpados pelos militares. O que unia diferentes ideologias era a derrubada do regime. E, ao contrário da Rússia ou de Cuba, e das metralhadoras de José Dirceu e Dilma Rousseff, mirava-se a democracia – e a arma era o voto”.

Evidente! Ao empregar o termo “candidaturas de um ou outro”, Noblat revela a verdadeira motivação da Rede Globo, que sua coluna no jornal dos Marinho, esforça-se por representar.

A globo não teria quem representasse, nas urnas e com um mínimo de chances de vitória, os interesses que a emissora patrocinou na campanha de ataque à democracia. Por isso, prefere ver sangrar a nação com a continuidade do, agora, presidente “traidor decorativo”, mesmo que signifique a total paralisia resultante da ilegitimidade que representa sua patética figura.

“Mesmo encurralado, Temer continua presidente, o que torna surrealista falar de eleições para sucedê-lo, sejam elas indiretas ou diretas.

Apresenta-se como um sobrevivente que tem conseguido, com aparelhos, manter a respiração. Perdeu fôlego no Congresso, mas não o suficiente para ser impedido, algo que pode vir – se vier – do TSE, que marcou para terça-feira, 6, o julgamento da ação do PSDB de cassação da chapa Dilma-Temer. Mas nada aponta que será condenado de imediato e, se for, que sairá rápido do Planalto, dadas as possibilidades de recursos”.

Sim, a Globo quer tempo para uma renovada campanha de criminalização geral da política e, também, para fabricar seu outsider. Para isso não exitará, até mesmo, em ocupar, logo ali, sua própria tribuna para reconhecer, outra vez, seu papel golpista na história do Brasil.

http://noblat.oglobo.globo.com/artigos/noticia/2017/06/diretas-ja-merecem-respeito.html?utm_referrer=https%3A%2F%2Fzen.yandex.com

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