Alexandre Tambelli – Por que antes de checar a acusação o PT já pediu desculpas à jornalista da Globo?

 

DAMOS ATENÇÃO DEMAIS À VELHA MÍDIA E SUA PÓS-VERDADE.

por Alexandre Tambelli, no Facebook

Há uma questão importante a ser ponderada.

Nós estamos acostumados ao cotidiano de consultar a velha mídia.

Como ainda é a nossa fonte primária para muitas notícias/fatos do dia a dia brasileiro e mundial, fica fácil não se dar a devida ponderação e cuidado ao fato de notícia da Míriam Leitão ser dela própria.

Antes de checar já estávamos pedindo desculpas? Por quê?

Tudo o que a velha mídia produz é duvidoso, ela não produz um Jornalismo digno de alguma confiança, mas, a gente por bom-mocismo já toma as dores de quem nunca tomou com nossas dores e pede desculpas e quer ensinar como é que se faz.

Se nós da esquerda tivessemos uma agência de notícias própria, canais de comunicação efetivos, antes de dizer que é errado o ato dos “dirigentes” petistas, a gente procuraria os tripulantes e passageiros do voo da Avianca, o outro lado, para que eles pudessem corroborar ou não com a “notícia” da Miriam Leitão. Nas, não!

Ao invés de produzirmos o contraditório e buscarmos as verdades do fato relatado pela jornalista da Globo, nos apressamos em mostrar como se deve agir, como ser ético e entramos no jogo da velha mídia.

E o PT e sua presidenta soltando nota, fazendo pedido de desculpa à jornalista de afogadilho, sem a confirmação precisa dos fatos ocorridos 10 dias antes e só vindos à tona ontem.

São testes para a sociedade e para as esquerdas o noticiário da velha mídia.

Um suposto grampo da Abin contra o ministro do STF Fachin, a pedido do Temer, colocado na capa da Veja e nós, enquanto sociedade, desejamos que seja verdade, por quê?

A nossa vontade de que seja verdadeira a informação para Temer cair logo?

Notícia da Veja não vale contra Lula, porém, vale contra Temer?

A revista mais odiada e que não botamos nenhum valor jornalístico e Ético nela, de repente, nos vem como uma fonte verdadeira e aliada do nosso desejo de ver Temer longe do comando do Palácio do Planalto?

Vemos gente da esquerda, combativos aliados contrários ao Golpe, que torceram para a chapa Dilma-Temer ser cassada, para nos livrarmos logo do Temer.

E, este é o caminho, passando por cima da Constituição, do resultado eleitoral, da validação da vitória em 2014 e 54 milhões de eleitores, do Trânsito em Julgado do processo antes mesmo da posse da Presidenta Dilma, tudo para dar certo o resultado querido de afastar Temer?

E os direitos políticos de Dilma e a Constituição, o processo eleitoral e os 54 milhões de votos legítimos na centro-esquerda?

E, com provas colhidas na Lava-Jato via delações forçadas, na base do “diz que tem propina que eu diminuo sua pena”, método que dizemos ser usual por Sérgio Moro, juiz que a gente sempre questiona seus métodos?

Vivenciamos esta realidade em que precisamos da velha mídia e de ações de um agente seu (até outro dia), como o Ministro Gilmar Mendes e parceiro inseparável do PSDB, nosso partido mais adversário?

Não é esse o nosso discurso de ao menos 1 década? Tudo para cassar o mandato de Temer? E, sem pensar que iríamos deixar colar a marca de que Dilma e o PT são corruptos, da mesma laia do Temer & Cia.?

Precisamos, enquanto sociedade, derrubar o Temer, estou de acordo. Mas não a partir da Rede Globo, da revista Veja e de um processo irregular e político que o ministro Gilmar Mendes colocou na mídia, para ser uma das possibilidades do Golpe para empossar Aécio Neves.

Derrubar a partir do protagonismo social e embasado em atos da Justiça, todos em consonância com a Constituição e as Leis. Não é justo ser assim?

Precisamos de uma organização outra de Jornalismo, para o cotidiano do Brasil e do Mundo ser noticiado e com a nossa marca.

Eu não abro portais da velha mídia; não leio seus jornais, não ouço suas rádios e não vejo TV da velha mídia.

Pergunto:

Por que será que ainda somos reféns da velha mídia? Somos porque queremos.

Claro que os bastidores da Política e do Governo são importantes, mas será que as esquerdas parlamentares não podem criar mecanismos de monitoração dos projetos e leis, das emendas parlamentares, dos bastidores de Brasília para nos dar suporte de noticiário das bandas dos Poderes Legislativo e Executivo?

Será que não podemos filtrar nas mídias velhas fatos cotidianos relevantes e checar antes de tudo, para só depois informar com precisão os fatos relevantes e diários do cotidiano do Brasil e do Mundo?

Temos que ser capazes de sermos um Jornalismo independente. E independente da necessidade de a velha mídia ser nossa fonte primária, precisamos dar credibilidade jornalística e ser a fonte segura de milhões e milhões de leitores. Também ser um contraponto ao que a velha mídia publicar, senão, no futuro outros golpes virão.

E se precisarmos da velha mídia, se repercutirmos uma notícia dela e não for possível encontrar veracidade no fato relatado coloquemos esta informação em destaque e ajudemos a não propagandear o que não se tem certeza, e, principalmente, não tenhamos o método de dar audiência a esta ou aquela emissora, só porque ali se está querendo “derrubar” quem queremos “derrubar”, também.

Por que aumentar a audiência da Rede Globo pós-escândalo JBS/Temer/Aécio? E dar até um “ar” de credibilidade a um Jornalismo que a gente descredencia cotidianamente?

Certamente, há de existir, de nossa parte, formas de conquistar os leitores, ouvintes, telespectadores da velha mídia, para contrapô-la e até melhorá-la com a credibilidade de nosso Jornalismo e de nossa concorrência.

E, quando inverdades forem noticiadas como verdades, repormos os fatos em seus devidos lugares.

Porém, muitas das vezes não se precisa dar destaque antes da hora, podemos esperar algumas horas, trabalhar bem os fatos noticiados e só niticiar diretamente o fato verdadeiro, o contraponto, as ressalvas, o que não se pode comprovar, etc., penso eu.

E, assim, não virarmos torcida para que a notícia do Grampo da ABIN contra Fachin, seja confirmada, dando credibilidade a Veja, quem não a tem, só para o Temer cair logo.

(Via Viomundo)

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