A missão de um rato é ser um rato: “farei as reformas, tenho maioria”

rat

Michel Temer caminha, a passos largos, para deixar de ter uma minúscula biografia para ter um extenso prontuário.

Não se pode, claro, dar crédito imediato a todas as acusações, até porque os acusadores são criminosos confessos: Joesley Batista e Lúcio Funaro.

Mas elas vieram acompanhadas de gravações, malas e flagrantes que não são pequenos.

E, ainda mais convincentes por isso, encaixaram-se perfeitamente ao caráter miúdo e às práticas de vida dos acusados.

Temer viveu a vida pelos cantos, obscuros, vivendo das migalhas como rato-mór de ratos igualmente longevos na vida pública, agregado a governos que precisavam do bando que foi se tornando o PMDB no parlamento.

Comparem-se os tamanhos: três anos com toda a polícia, o ministério público e um bando de empresários delatando para sair da cadeia não conseguiu produzir uma evidência indiscutível contra Lula ou Dilma, embora tenham produzido processos contra o ex-presidentes onde as convicções substituem as provas.

Um mês de foco sobre Temer já rendeu tantas cenas constrangedoras e inexplicáveis – embora de natureza óbvia – que mal dá tempo de respirar.

Tudo o que consegue dizer em sua defesa é: “farei as reformas, tenho maioria”.

Por isso, a derrota ontem na votação da reforma trabalhista tenha sido mais grave para Temer que a enxurrada de denúncias de ladroagem.

Para os que o sustenta, não se espera honestidade, mas impiedade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *