A ESQUERDA ACUMULA FORÇAS (CLÓVIS VERONEZ)

é dando

Uma “lamuria” tomou conta das redes sociais nos últimos dias. Penso que de forma apressada, muitos tentaram vender a ideia de ausência de indignação na população, relativa ao cenário caótico da política nacional. A choradeira toda, veio como efeito de uma avaliação negativa sobre o resultado da greve de 30 de junho. Tanto, que um site humorístico divulgou uma pesquisa falsa (nem tanto), afirmando que “levantamentos” seus, deixavam claro que se aqueles que usavam a rede social para reclamar estivessem nas ruas elas estariam cheias. Quanto a isso é preciso lembrar, que a indignação nas ruas não tem tradição histórica no Brasil. As três últimas resultaram em traumas difíceis de superar. Foram elas: o movimento Diretas já, os protesto de 2013 e o impedimento da presidenta. Todos esses fatos, de forma mais ou menos acentuada, com enorme participação da mídia corporativa no seu chamamento. Todos eles, também, resultando em grande decepção, quanto aos efeitos resultantes. Ora, existe uma teoria, bastante aceita nos círculos acadêmicos, que explica o comportamento político, numa relação de custo benefício: quanto ganho e quanto perco na ação política. Evidente, que se tem conquistado muito pouco. Melhor: mais se tem perdido do que conquistado algo, vide os descontos na folha de pagamento dos trabalhadores envolvidos na greve anterior.Tenho afirmado, que a greve enquanto instrumento de luta foi vitoriosa, porque simplesmente, não comparo greve com manifestações de rua contra ou a favor disso ou daquilo. patoNão houve nos piquetes, interrupções e ações da greve, um número menor de lutadores sociais e o seu impacto econômico foi expressivo. Em Porto Alegre, por exemplo, o movimento no comércio foi 50% menor do que na sexta anterior (dados das entidades dirigentes). Isso é muito. Sem falar, no enorme esforço das ferramentas midiáticas e repressivas usadas para esvaziar o movimento.Diante das perdas proporcionadas pelas tais reformas trabalhista e previdenciária, a parcela organizada e combativa da classe trabalhadora, demonstrou que pode ela também causar perdas econômicas irreparáveis ao mercado. Cinquenta por cento foi, no dia 30, um retumbante aviso. Mas, mais do que o prejuízo aos patrões, a greve construiu um saldo de unidade na parcela mais adiantada da luta política e demonstrou, a essa parcela, que setores do peleguismo sindical devem ser esquecidos e solapados pela base.

De outro prisma, e quanto ao problema da indignação ausente, só quem não transita nos espaços menos “nobres” da sociedade, para afirmar que isso é verdadeiro. Existe, sim, um caos de informações, que se para os mais envolvidos e atentos personagens da esfera política é difícil processar, imagine-se para as pessoas comuns. Além da indignação, desenvolve-se nelas um processo de inflexão à esquerda, numa perspectiva de futuro.

O Data Folha, instituição de uma das principais empresas golpistas, não resiste em reconhecer.

Cresce apoio a ideias próximas à esquerda, aponta Datafolha

MARCO RODRIGO ALMEIDA
DE SÃO PAULO

Cresceu o apoio da população a ideias identificadas com a esquerda do espectro político. Esse fato sobrepujou o avanço de algumas posições conservadoras, típicas da direita. O resultado líquido foi uma leve movimentação do perfil ideológico do brasileiro para a esquerda, retomando a situação de equilíbrio entre os dois polos.

O quadro é apontado por pesquisa do Datafolha que mede a inclinação ideológica no país. As perguntas elaboradas buscam demarcar as diferenças entre convicções associadas à direita e à esquerda, em temas econômicos e comportamentais.

Com base nas respostas, os eleitores são agrupados em uma das cinco posições da escala ideológica (esquerda, centro-esquerda, centro, centro-direita e direita).Na comparação com o levantamento anterior, feito em setembro de 2014, nota-se uma maior sensibilização do brasileiro a questões que envolvem a igualdade, possível reflexo da crise econômica e do alto desemprego que atingem o Brasil nos últimos anos.

Subiu, por exemplo, de 58% para 77% a parcela que acredita que a pobreza está relacionada à falta de oportunidades iguais para todos. Já a que crê que a pobreza é fruto da preguiça para trabalhar caiu de 37% para 21%.

No mesmo campo de ideias, cresceram a tolerância à homossexualidade (64% para 74%), a aceitação de migrantes pobres (63% para 70%) e a rejeição à pena de morte (52% para 55%).

“Esses valores foram se tornando mais abrangentes, não apenas bandeiras exclusivas da esquerda. A direita também foi se apropriando dessas causas. Ao mesmo tempo, o discurso radical foi se deslegitimando na sociedade”, afirma Cláudio Couto, cientista político e professor do curso de administração pública da FGV (Fundação Getúlio Vargas).

“Mas estabelecer essas classificações é sempre muito complexo. A noção de igualdade é ampla. Pode ser materializada no Bolsa Família, nas cotas, no aumento do salário mínimo. E aí o cidadão pode apoiar ou refutar cada uma dessas aplicações concretas”, continua Couto.

No campo comportamental também são nítidos, ainda que insuficientes para compensar o avanço das ideias mais relacionadas à esquerda, alguns movimentos de conotação conservadora.

É o caso do direito do cidadão de possuir uma arma legalizada, defendido agora por 43% da população (em 2014, era por 35%). A opinião contrária ainda predomina, mas registrou declínio (de 62% para 55%).

Com relação às drogas, a opinião média nacional se manteve estável –dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Prevalece a ampla defesa da proibição (82% para atuais 80%).
Já na seara econômica percebe-se uma relativa estabilidade entre os grupos ideológicos, mas com movimentos contraditórios.

A maioria quer pagar menos impostos (51%) e depender menos do governo (54%), posições comumente associadas à direita. Contudo considera que o Estado deve ser o principal responsável por fazer a economia crescer (76%).

DIREITA CAI, ESQUERDA SOBE

A alta nas opiniões de viés mais progressista reverteu a vantagem, constatada em 2014, da direita sobre a esquerda. Os dois grupos voltam agora ao empate técnico.

No somatório, direita e centro-direita representam 40% da população. Na pesquisa anterior eram 45%. Já a soma de esquerda e centro-esquerda aumentou de 35% para os atuais 41%. O centro manteve-se com 20%.

Um ano após o impeachment de Dilma Rousseff, a pesquisa põe em dúvida a hipótese de que a direita teria se beneficiado do declínio petista e do desgaste sofrido por algumas das principais lideranças do partido.

“As medidas de ajuste propostas após a queda de Dilma são muito duras e ainda não demonstraram efeitos nítidos para a população. Isso abalou a imagem da direita. E ficou comprovado que o PT não detinha o monopólio da corrupção”, diz Couto.

O instituto fez 2.771 entrevistas de 21 a 23 de junho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *