O globo acena com a bandeira da unidade das elites (por clóvis veronez)

O Noblat é o principal porta voz da Globo na internet.

Por dia, deve fazer algo perto de 50 postagens no twitter, atualizando a posição do grupo.

Uma, no dia de ontem, merece destaque.

Nela o jornalista, sem o menor pudor, trata da grande mídia como “elite rachada” e tenta interpretar os motivos da divisão.

Para o Globo, a divisão decorre das visões diferenciadas das elites quanto ao protagonismo na execução das tarefas de convencimento da população sobre os objetivos golpistas ou, como queiram, sobre seu caminho mais curto.

Divide o campo do golpe, em ativistas judiciais entre os que se inclui e os garantistas representados na posição do Estadão

No entanto, mal consegue dissimular suas preocupações, partindo para o aceno de paz e conclamando a unidade. Claro que a unidade passa pela traição da traição e o apoio a Rodrigo Maia.

Noblat

No limbo dos acontecimentos

Nunca na história política do país as elites midiáticas estiveram tão rachadas. Nada de errado. É mais do que saudável que exista o contraditório, que existam opiniões diferentes. A unanimidade, como disse Nelson Rodrigues, é burra. Porém, em um país onde a grande mídia sempre olhou – quase sempre – para o mesmo lado, devemos observar o cenário com atenção.

O que explica o racha nas elites? A resposta é complexa. Não dá para esgotar o tema em um simples artigo.  Conjunturalmente, parte da mídia se associa a um viés mais pronunciado em favor do ativismo judicial. Gosta de iniciativas como condução coercitiva, longas prisões temporárias, acordos de delação com validade de prova inconteste, entre outras. E apoia, também inconteste,o ativismo fundamentalista da República de Curitiba, muitas vezes sem refletir sobre seus exageros.

Setores minoritários mas importantes da mídia trafegam na linha mais garantista. Um exemplo perfeito e acabado dessa posição se viu no editorial d’O Estado de S. Paulo que tachou deinepta a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer. A Folha, como sempre, diversa, apresenta os contra e os favor. Mas os sites de ambos (G1 e Uol) trabalham na linha das manchetes escandalosas que podem acordar o internauta em meio à inudação provocada pelo excesso de informações.

Não cabe aqui fazer um juízo de valor sobre quem tem razão. Mas é certo dizer que a precisão da informação fica em risco quando o noticiário toma um lado que não é, necessariamente, o lado da verdade dos  fatos.

Existe ainda outra hipótese para o racha: como a mídia se envolveu na campanha pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, alguns veículos carregam a pecha de golpistas. Então não poderia ser diferente com Temer, desde que exista um motivo. O problema é que uns veem esse motivo; outros, nem tanto.

Para onde vamos? É um prognóstico difícil. Poucos políticos e poucos governos resistem a uma desconstrução diária na mídia eletrônica. Todos os dias o governo Temer é “espancado” em horário nobre. Para quem não se interessa por detalhes, a mera exposição negativa já é uma tragédia.

Sem fatos novos as elites vão continuar divididas, tal como revelado nas avaliações reproduzidas pela TV Globo e pelo Estadão. Apenas fatos novos poderiam promover a unificação das narrativas, contra ou a favor de Temer. Quais seriam os fatos novos? Basicamente, evidências que comprovassem que as suspeitas e as ilações de Rodrigo Janot são verdadeiras ou falsas. Até lá, ficamos no limbo.

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