Sobre bananas e barbáries (clóvis veronez)

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A república das bananas é aqui.

Nunca, o termo pejorativo de O. Henry, foi tão preciso em designar um lugar.

A instabilidade democrática, um governo golpista e corrupto, uma economia à serviço dos senhores da terra.

Uma grotesca estratificação de classes ao sabor de uma oligarquia político-econômica-midiática.

Um país que reconhece que o que é, pode também não ser.

Um pastelão!

Nesse lugar, as cenas se repetem, incansavelmente:

Um velho canalha e “fanchão”, que era o vice do governo dos “trabalhadores” e que, obviamente, passaria a rasteira, para virar o presidente dos lacaios golpistas e algoz do restante de um estado protetivo, sob aplausos dos endinheirados e a choradeira dos atraiçoados.

O silêncio sorridente, de São Paulo diante do Prefake.

Soldados, quase todos pretos, dando porrada na nunca de malandros pretos, de ladrões mulatos e outros quase brancos, tratados como pretos.

O silêncio incompreensível, diante da chacina de jovens e homossexuais.

Republiqueta, onde a coluna social bate panela, enquanto a doméstica assiste novela.

Outro silêncio sorridente e cúmplice, diante da contradição sem limite racional e sem motivo razoável.

Da justiça, que condena sem provas e absolve diante delas.

Somos todos bárbaros, telespectadores.

A barbárie não consiste em arrotar no restaurante, vestir-se mal ou falar palavrões  na frente das crianças nem consiste, como sugeria Norbert Elias, em desconhecer Platão, Mozart, Kant ou Machado de Assis (ou o próprio Elias).

A barbárie também não é só uma questão de ponto de vista, como retrucava Claude-Levi Strauss.

A barbárie consiste na violência desmedida e irracional perpetrada paulatinamente contra o outro, contra aquele que se supõe o mal a ser combatido.

A barbárie não está apenas nas chacinas, nas prisões, nas torturas e nos estupros. Está também na televisão, nas rádios e na internet.

Está na boca dos salvadores da pátria.

Está na posse das bananas e da televisão.

Nas pessoas, homens e mulheres de bens e nos que não tem vintém.

 

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