O PSDB NÃO ENFRENTA CRISES ÉTICAS (Pedro Moacyr Pérez da Silveira)

pedruca

 

A “mea culpa” do PSDB é cabotina, conscientemente ardilosa e maldosamente engenhosa. Fosse verdadeira, inicialmente expulsaria o Aécio Neves e sairia do governo Temer, no mínimo. Alegar necessidade de governabilidade para permanecer por ora nas entranhas de um governo ilegítimo, propugnar defesa ao Parlamentarismo para um povo politicamente cindido (e para cuja divisão esse partido contribuiu como um dos protagonistas principais) e falar mansamente ao povo como falariam os anjos, revelam a pior das índoles. Seus homens desonestos são parte mínima dessa condição um tanto ordinária, uma vez que esses estão distribuídos em inúmeras agremiações. Bem pior é a sua estrutura ideológica e seus planos elitistas, discriminatórios e socialmente verticalizadores. Bem pior é sua incapacidade natural de diálogo aberto com a sociedade em geral e seu desapreço efetivo por instâncias democráticas. Bem pior é estar não apenas vinculado organicamente ao que de mais monstruoso há no Poder Judiciário e no Ministério Público Federal, por exemplo, mas também a outsiders capazes de todas as piores e histriônicas ações políticas, como a de criminalizar movimentos sociais e vestir-se de gari para adornar-se com roupas operárias evocadoras de trabalho árduo. Bem pior do que isso, é o PSDB apoiar João Dória, que é esse aventureiro que mencionamos, ao mesmo tempo que elabora a propaganda que está divulgando nos últimos dias como se fosse um doce animal abandonado e carecedor de compreensão, apreço, consideração e, sobretudo, salvação. Só não diz – e nem dirá – que essa salvação se deverá dar na forma de votos em 2018. E ainda por cima fica feio, muito feio e desonesto, pôr a culpa nos outros ao mesmo tempo em que, sobre sua própria cabeça, ao invés da culpa deposita candidamente uma auréola angelical. Estou definitivamente cansado. Isso está demais!

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