O outro lado do lado que é lado – lado de lá (clóvis veronez)

logo observatórioOs fatos da semana, que acaba, escancaram uma atuação partidária da imprensa, cujo objetivo é embaçar o senso comum e servir ao encobrimento da disputa politica  no submundo do golpe, do qual faz parte o império da mídia.

Pinta-se uma cena difusa onde as personagens são igualadas nos objetivos a que servem. O que o senso comum assiste é uma sequência que aparenta-se com o caos, resultado de uma luta despudorada entre os poderosos, que envolve todos os poderes da República numa salada de ratos onde os ingredientes não são a primeira vista identificáveis.

“Todos” parecerão iguais aos olhos incautos.

A politica será criminalizada em essência, para que seja rejeitada, excomungada e, ao final, negada como campo do interesse geral. Será cada vez mais difícil percebe-la como mediadora de conflitos e tensões sociais permanentes. Objetivo: desqualificar a política naquilo que ela tem de mais virtuoso – a possibilidade de que venha a constituir-se na representatividade de setores sociais excluídos no curso da história

A tática é a da escandalização, traição, jogo baixo e repercussão calculada.

É um bombardeio. A grande imprensa alimenta dia e noite esta confusão enorme no noticiário que vai envolvendo todos os poderes do Estado. É a falência da politica, a derrota do líder popular e a vitória do mercado, mediante catarse coletiva que se promoverá no Show Business dos telejornais. Ai que está a treta toda!

Ninguém tem paciência para acompanhar tantos detalhes e tanta informação, contra-informação, mentira, boato e farsa. A percepção do cidadão comum, na maioria, é a de que ninguém mais presta. E porque ninguém presta, só um super herói pode tirar nossa civilização da lama. De preferencial alguém do planeta dos endinheirados, capaz de pilotar a nave do mercado e destruir qualquer resquício do estado protetivo, nem que para isso seja necessário fazer cacos da democracia, enfraquecer para em seguida eliminar a resistência.

Para que uma pessoa experimente catarse em relação a um conflito, é necessário que uma oportunidade de resolução apresente-se. As elites bem que gostariam de ter uma, para chamar de sua, mas não tem. Ainda resta a tarefa de construí-la, antes que sobre apenas o Bolsonaro. Quem acaba tendo é, justamente, o inimigo. E, nada mais lógico é desqualificá-lo numa trama aristotélica de traição. É claro que não pode faltar a figura do traidor (antes o Dulcídio, agora o Palocci)

Assim, do lado de lá, está para nascer um super herói (se é que ainda não nasceu) que vai propor soluções simples, práticas, à base da força, do sectarismo, do silenciamento e do autoritarismo.

Para as elites, incluindo seus veículos de comunicação de massas, resta salvaguardar numa transição até que chegue o dia do escrutínio das urnas, o viés moral legitimador (cada vez mais pueril e rejeitado) da sua estratégia de subtração de direitos e do assalto ao Estado nacional com o Supremo e tudo, qual seja, a de que está em jogo é um real combate à corrupção, enquanto do outro lado do balcão se negocia quem pode dela participar. E, ao campo popular, forjar a contra mola.

 

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